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Política

Implante de cabelos pode custar o mandato de Renan

17 de janeiro 2015 - 13h13 Por Redação Douranews
Implante de cabelos pode custar o mandato de Renan

Na noite de 18 de dezembro de 2013, decretado o fim dos trabalhos legislativos, o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB, estava finalmente liberado para repousar em sua mansão de Maceió, em Alagoas. Reservou o jatinho da FAB (Força Aérea Brasileira) a que tem direito para voltar para casa. Partiu de Brasília às 22h15, mas, em vez de pousar em Maceió, pediu para desembarcar no Recife. A paradinha era necessária: fora um ano difícil. Em fevereiro, Renan havia sido denunciado ao Supremo pela Procuradoria-Geral da República, acusado de desviar dinheiro do Senado. Em junho, havia sido forçado a se trancar no gabinete, para se proteger da fúria dos manifestantes que tentavam invadir o Congresso. Renan estava fatigado. Perdera viço, quilos e cabelos. Não precisava apenas de descanso. Precisava também de um up na autoestima.

Como bom peemedebista, não aceitou serviço pela metade. Exigiu uma funilaria pesada. Primeiro uma blefaroplastia [cirurgia plástica nas pálpebras], mais conhecida como “levantadinha no olhar”. Depois, ‘um tapa’ na peruca. Ou melhor, um implante de 10 mil fios de cabelo com um especialista em cocurutos, o doutor Fernando Teixeira Basto Júnior, o responsável pelas novas madeixas de José Dirceu. A depender da perspectiva, o implante deu certo. Os cabelos cresceram como mato seco na careca outrora lunar de Renan. Mas a Procuradoria da República em Brasília não gostou do resultado. Entrou, em segredo, com uma ação de improbidade administrativa contra o presidente do Senado.

A revista Época teve acesso ao documento. Nele, os procuradores são severos: pedem que sejam decretadas a perda do cargo e a cassação dos direitos políticos do senador, em razão do uso indevido do jatinho da FAB. O juiz João Carlos Mayer, da 17a Vara Federal de Brasília, decidiu que não era da alçada dele julgar o presidente do Congresso ‘e sua juba’. A seu ver, essa seria uma tarefa para o STF (Supremo Tribunal Federal) – embora o próprio Tribunal determine o contrário em casos de improbidade. Agora, cabe ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, recorrer ou não. Procurado por Época, Renan se restringiu a informar que devolveu o dinheiro dos dois voos. Não parece ter ‘um fio’ de preocupação com o caso, segundo a revista.