Além dos problemas decorrentes da queda da receita por conta da política econômica nacional, os prefeitos de Mato Grosso do Sul convivem com outra deficiência pública crucial que acaba agravando a situação: o atraso na liberação de verbas para construção de obras conveniadas com o governo federal.
Ocorre que os prefeitos contratam os serviços com construtoras e o dinheiro carimbado não chega à origem e a obra ficam paralisadas, despertando a ira da população.
São os casos de obras de creches prometidas pelo governo federal que estão paradas ou inacabadas na maioria dos municípios, não apenas em Mato Grosso do Sul, mas em todo o País.
O prefeito de Amambaí, Sérgio Barbosa (PMDB), por exemplo, atesta que convive com essa situação. Segundo ele, 60% das obras de duas creches em seu município estão prontas e o repasse de R$ 750 mil para cada uma delas não chega.
A verba a que o prefeito se referente são oriundas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).
Fora o problema do atraso dos repasses, os prefeitos estão preocupados com algumas informações veiculadas pela imprensa dando conta que a culpa pela paralisação das obras é das prefeituras.
Há dias, o programa Bom Dia Brasil, da Rede Globo de Televisão, noticiou que percorreu alguns dos estados onde deveriam estar funcionando as creches anunciadas pelo governo há cinco anos, mas encontrou a maioria das obras paradas.
De acordo com a reportagem, das mais de seis mil creches prometidas apenas mil ficaram prontas.
Ainda segundo a matéria, em todo o Brasil deveriam ser 6.185 creches, mas só 1.004 estão prontas. O programado era que todas estivessem funcionando desde o início do ano. Outras 2.457, menos de 40%, estão em obras.
Na avaliação de Sérgio Barbosa, esse tipo de reportagem só prejudica os prefeitos que estão trabalhando corretamente, principalmente nos casos em que o culpado pelo atraso é o governo federal e não as prefeituras.