Um habeas corpus preventivo impetrado na Justiça Federal do Paraná, nesta quarta-feira (24) pede que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seja preso na Operação Lava Jato, da PF (Polícia Federal), caso o juiz federal Sérgio Moro tome uma decisão nesse sentido. O pedido refere-se a um possível pedido de prisão preventiva.
A assessoria de imprensa do TRF-4 (Tribunal Regional Federal 4ª Região) confirmou. O Instituto Lula nega que o ex-presidente tenha entrado com o pedido. A assessoria de Lula encara a atitude como de ‘‘alguém preocupado com o ex-presidente’’ ou como uma ‘‘provocação’’. O Instituto Lula estranha que a divulgação tenha sido dada pelo senador Ronaldo Caiado (DEM-GO).
Caiado, um dos principais oposicionistas do Senado, divulgou no perfil que mantém no Twitter nesta quinta (25) que Lula teria entrado com pedido por receio de ser preso. ‘‘O ex-presidente não é investigado na operação Lava Jato’’, concluiu o instituto. Entre os assuntos relacionados na solicitação, feito em uma ação que envolve o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, constam lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores oriundos de corrupção e prisão preventiva.
Lula tem dito a aliados que a prisão dos presidentes da Odebrecht e da Andrade Gutierrez é uma demonstração de que ele será o próximo alvo da operação que investiga um esquema de corrupção na Petrobras. Nas conversas, ele se mostra preocupado pelo fato de não ter foro privilegiado, podendo ser chamado para depor a qualquer momento. Por isso, expressa insatisfação que o caso ainda esteja sob condução do juiz Sérgio Moro, conforme tem revelado.
Apesar do argumento de que outros partidos podem ser afetados pelo desdobramento da investigação, a tensão é maior entre petistas. Desde o fim de 2014, a informação, que circulava no meio empresarial e político, era de que Marcelo Odebrecht não cairia sozinho, caso fosse preso. A empresa sempre negou ameaças. Entre executivos e políticos, contudo, as supostas ameaças eram vistas como um recado ao PT dada a proximidade entre a Odebrecht e Lula. A empresa patrocinou viagens do ex-presidente ao exterior, para tentar fomentar negócios na África e América Latina, segundo já foi divulgado pela imprensa nacional.