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Presos do semiaberto iniciam reforma de escolas estaduais da Capital

08 de julho 2015 - 19h05 Por Notícias-MS/Douranews
Presos do semiaberto iniciam reforma de escolas estaduais da Capital

Detentos do Centro Penal Agroindustrial da Gameleira já iniciaram os trabalhos de reforma da Escola Estadual Flavina Maria da Silva, no Jardim Botafogo. A ação faz parte do projeto “Pintando e Revitalizando a Educação com Liberdade”, realizado por meio de parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), Poder Judiciário, Conselho da Comunidade e secretarias de Estado de Educação (SED) e de Direitos Humanos, Assistência Social e Trabalho (Sedhast).

Idealizada pelo juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, a iniciativa, inédita no País, consiste na utilização de mão de obra prisional para a reforma de escolas públicas de Campo Grande. Os recursos para compra de materiais utilizados são oriundos de parte do salário pago a todos presos que trabalham na Capital, no qual o percentual de 10% de desconto é instituído pelo Poder Judiciário para ser aplicado neste tipo de projeto.

O diretor de Assistência Penitenciária da Agepen, Gilson Martins, explica que, conforme convênio firmado, o governo do estado fica responsável pelo repasse ao Conselho da Comunidade, através da Sedhast, de um salário mínimo a cada interno que trabalhar na obra.

Com cerca de 550 alunos, a escola de ensino médio do Jardim Botafogo é a quarta da Capital a ser beneficiada com o projeto, que já atendeu também as escolas estaduais Padre Mário Blandino, no aero Rancho, Delmira Ramos, no Bairro Copavilla II, e Brasilina Ferraz Mantero, no Jardim Leblon.

Orçada em R$ 97,6 mil, a obra abrangerá pintura, poda de árvores e reforma geral das salas de aula, setor administrativo e quadra de esportes coberta. Além disso, serão construídas duas coberturas, uma delas na entrada da escola e outra entre o pavilhão administrativo e as salas de aula.

De acordo com o diretor do Centro Penal da Gameleira, Tarley Cândido Barbosa, que – junto com os agentes penitenciários Giorgio Henrique de Almeida e Marcelo de Oliveira Vianna – coordena os trabalhos, com a reestruturação, será implantado um sistema de coleta de agua da chuva para ser utilizada na limpeza do pátio e irrigação de uma horta que será construída no local. “Também haverá mudança no sistema de iluminação, o que garantirá diminuição no consumo de energia”, informa o dirigente.

Treze detentos trabalham no local, escolhidos por bom comportamento e habilidades profissionais necessárias para atuarem na reforma do prédio. Além de um salário, a cada três dias trabalhados eles recebem um dia de redução da pena.

Participando pela terceira vez do projeto, o custodiado do regime semiaberto Marcelo Dias da Silva, 37 anos, garante que a cada novo trabalho fortalece a satisfação em estar inserido em uma ação tão positiva. “É muito gratificante saber que estamos contribuindo com o nosso conhecimento profissional para a melhoria na educação de muitas crianças”’, afirma. “Percebo também que a sociedade passa a enxergar a gente com outros olhos, não nos vê em apenas como que cometeu crime, mas sim como pessoas que estão dispostas a recomeçar, trabalhando e fazendo coisas boas”, completa.

O diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, esteve na escola Flavina Maria da Silva acompanhando as obras. Segundo ele, além de proporcionar uma expressiva economia aos cofres públicos, o projeto ajuda a fomentar a educação com espaços mais estruturados aos estudantes e incentiva a reinserção social de detentos por meio do trabalho.

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O diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia acompanhando as obras

Para o diretor da escola, Everado Monteiro, o trabalho que está sendo desenvolvido pelos reeducandos irá proporcionar melhores condições de aprendizado. “Traz uma qualidade melhor de trabalho para os professores e acaba despertando mais o interesse dos alunos em permanecerem na escola”, comenta. “Estamos muito felizes”, finaliza.