“O PMDB, a cada dia que passa, está mais distante do PT e nós esperamos que fique a cada hora mais distante, e, de preferência, não volte mais a estar junto com o PT”, afirmou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), nesta quinta-feira (9), durante o lançamento do 10º Circuito Aprosoja, em Cuiabá.
Cerca de 900 quilômetros distdantes um do outro, também na região Centro-Oeste, o vice-presidente da República e presidente em exercício do País [a presidente Dilma encontrava-se em viagem a Rússia], Michel Temer, disse, em Dourados, que "nós estamos na mesma barca", referindo-se à união do PMDB com o PT "pelo bem do País", como definiu a aliança dos dois partidos no Governo.
Cunha disse que esse distanciamento do PT é a posição defendida pela maioria dos integrantes do PMDB. Ele afirmou que os pontos defendidos pelos dois partidos não são mais os mesmos. “Apenas temos a responsabilidade da governabilidade de um governo que o PMDB faz parte na chapa, mas isso não quer dizer que temos que mergulhar nas teses equivocadas do PT”, disse. O deputado afirmou ainda que o governo foi “arrastado” pela impopularidade do PT e que o Partido dos Trabalhadores é mais impopular que o próprio governo.
Michel Temer disse, em Dourados, cercado pelos deputados estaduais petistas João Grandão e Cabo Almi, que o projeto de Governo do PMDB hoje é associado com o do PT. João Grandão até aplaudiu quando o presidente interino do Brasil disse que "nós estamos juntos com a prsesidente Dilma pelo bem do País". "É isso aí", festejou o deputado petista douradense. Temer trouxe, no mesmo avião, de Brasília, os deputados federais Geraldo Resende (PMDB) e Dagoberto Nogueira (PDT).
Debate nacional
Sobre as votações de temas polêmicos na Câmara, mas que nem sempre alcançam os resultados esperados por ele, Cunha afirmou não acreditar em boicote e sim na possibilidade de colocar em debates temas relevantes para a sociedade. “Todos os temas polêmicos andaram. Não vejo boicote nenhum. Acho que quem está sendo boicotado são aqueles adeptos do atraso, aqueles que não querem debater os temas que a sociedade quer”, comentou.
Entre os próximos temas que serão debatidos está o pacto federativo. Cunha informa que será colocada em votação uma emenda constitucional que proíbe a transferência de encargos sem dar os recursos suficientes para honrá-los. “Efetivamente, o Poder Legislativo tem que funcionar. Porque os poderes são independentes e harmônicos, e temos que fazer a nossa parte, que é legislar para corrigir distorções e facilitar o país”, disse.