A Câmara tentou nesta quarta-feira (15) concluir a votação da reforma política e acabou recuando em alguns dos principais pontos que haviam sido aprovados no mês passado, retomando algumas das regras que valem hoje. Em junho, a Câmara havia aprovado o mandato de 5 anos para todos os cargos eletivos, inclusive para senadores e mudado para o dia 5 de janeiro a posse de presidente da República e para 4 de janeiro a posse dos governadores. Nesta quarta-feira, por falta de uma votação mínima de 308 deputados, os deputados voltaram atrás e mantiveram os mandatos de 4 anos, com exceção do Senado, que continua a ter 8 anos. Outra alteração feita foi a manutenção do dia 1º de janeiro para a posse de chefe do Executivo em todas as esferas. Os deputados mantiveram, porém, o fim da reeleição.
Temendo ser derrotado em sua defesa do financiamento empresarial de campanhas, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), decidiu adiar para agosto a votação das emendas ao texto da reforma política. A preocupação de partidos como o PMDB e o DEM era de que os deputados alterassem a emenda constitucional aprovada em junho e proibissem as doações de pessoas jurídicas, tese defendida pelo PT e PPS, entre outras legendas.
A apreciação das emendas ao texto foi suspensa depois que o PT e o PPS tentaram, com um destaque, retirar a possibilidade de financiamento privado de campanhas. Em resposta, o DEM e o PMDB apresentaram questão de ordem contra esse destaque e Eduardo Cunha resolveu interromper a sessão e retomar a votação somente em agosto. O presidente da Câmara justificou que precisava de “segurança” para decidir sobre o pedido.
O deputado Alessandro Molon (PT-RJ) contestou a suspensão da sessão: “Esta é uma antirreforma política: está sendo feita pra manter tudo como está. Por isso, a dificuldade em se votar o destaque que pode derrubar a doação de empresas para campanhas. E, como estamos em segundo turno, o presidente não vai poder refazer a votação, como costuma quando perde”, criticou Molon.
O líder do DEM, deputado Mendonça Filho (PE), apoiou a decisão do presidente da Câmara de finalizar a votação somente em agosto. “O destaque do PT e do PPS inverte o sentido do texto que já foi aprovado originalmente, por isso Eduardo Cunha precisa ter segurança para decidir sobre nossa questão de ordem”, afirmou o democrata, segundo a reportagem do jornal O Globo.