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Produtores dizem ter certeza de ação do Cimi em invasões

21 de outubro 2015 - 14h31 Por Redação Douranews
Produtores dizem ter certeza de ação do Cimi em invasões

Proprietários da fazenda Buriti, no município de Sidrolândia, Ricardo e Jucimara Bacha comprovaram, por meio de vídeos e documentos, a presença do Cimi (Conselho Indigenista Missionário) em invasões na região. Os dois foram ouvidos na tarde desta terça-feira (20) pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) que investiga se o órgão é culpado por incitar e financiar invasões de propriedades particulares em Mato Grosso do Sul.

O vídeo exibido durante a sessão mostra imagens de um fotógrafo e do coordenador regional do Cimi em Mato Grosso do Sul, Flávio Vicente Machado, durante invasão da fazenda Buriti, em 2003. Em outro vídeo, gravado em 2012, Flávio admite que o papel principal do órgão é a “recuperação territorial e luta pela terra”. 

Ricardo Bacha também entregou aos membros da CPI um documento, encontrado em 2009 na propriedade de seu tio, Munir Bacha, que também foi invadida por indígenas. Trata-se de uma ata, onde consta o nome de dois membros do Cimi: Rogério Batalha e Egon Heck.

Desse documento, constam o registro de armas, elencadas por numeração, o nome de lideranças indígenas destinadas a portar essas armas, e detalhes sobre o processo de organização para a invasão. 

“Esse livro ata apresenta o revezamento de pessoas, o número de balas usadas, de armas, os livros de presença nas reuniões, enfim, reflete o nível de organização que eles tinham”, relatou Bacha.

Também foi apresentada aos membros da CPI uma cartilha do Cimi afirmando, entre outros pontos, que os suicídios entre os indígenas só vão acabar “com a implementação de um sólido programa de atuação continuada, visando a recuperação dos territórios tradicionais e a reconstrução do modo de ser e de viver dos Guarani e Kaiová”.

Ainda de acordo com a cartilha, “não existe outra perspectiva senão essa, retomar áreas perdidas para desafogar as áreas superlotadas”.

Bacha e a esposa fizeram um relato emocionado do dia em que a fazenda Buriti foi invadida e todo o processo que antecedeu essa invasão. De acordo com eles, a relação com os índios era amistosa desde a aquisição da terra, nos anos 20, até o fim dos anos 90, quando começaram a chegar notícias da articulação dos indígenas para invadir fazendas na região.

A família sofreu as primeiras invasões nos anos de 2000 e 2003. No entanto, a inocência demonstrada pelos indígenas, de acordo com Jucimara e Ricardo Bacha, apontava que eles não articularam sozinhos as invasões, tendo forças maiores por trás de todo o processo. “Meu sentimento é de que havia algo orquestrado”, disse Jucimara.

A invasão mais violenta aconteceu em 2013, quando centenas de indígenas cercaram a sede da fazenda Buriti, jogaram bombas dentro da casa, aterrorizaram a família, empregados e seguranças. Acuados, Bacha, a mulher Jucimara, familiares e funcionários tiveram que ser retirados à força do local pela Polícia Federal, pois mesmo aterrorizados, não queriam deixar a propriedade. Durante a batalha entre policiais e indígenas, perdeu a vida o índio Oziel Gabriel.