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MPF cita Marçal para pedir suspensão de concessões de rádio

23 de novembro 2015 - 10h12 Por Redação Douranews
MPF cita Marçal para pedir suspensão de concessões de rádio

Baseado em dispositivo da Constituição Federal que proíbe congressista de "firmar ou manter contrato com empresa concessionária de serviço público" (Artigo 54), a Procuradoria do MPF (Ministério Público Federal) vai pedir suspensão das concessões e condenação que obrigue a União a licitar novamente o serviço e se abster de dar novas outorgas a 40 parlamentares citados entre so beneficiados.

No total, os 40 parlamentares radiodifusores aparecem como sócios de 93 emissoras. A primeira leva de ações foi protocolada em São Paulo na quinta-feira (19) contra veículos associados aos deputados Antônio Bulhões (PRB), titular de concessões de rádios em Santos, Gravataí (RS), Olinda (PE) e Salvador; Beto Mansur (PRB), com rádios em Santos e São Vicente; e Baleia Rossi (PMDB), vinculado a duas rádios no interior paulista.

Nas peças (ações civis públicas), quatro procuradores e o advogado Bráulio de Araújo, do Intervozes (entidade que milita na área de comunicação), citam o caso do ex-deputado Marçal Filho [atualmente filiado ao PSDB e detentor da rádio FM94, em Dourados], condenado no STF (Supremo Tribunal Federal) por falsificação do contrato social para obtenção da emissora.

Conforme o acórdão do STF (documento da decisão final), Marçal falsificou papéis justamente para omitir a condição de sócio da emissora. No processo, os ministros Roberto Barroso e Rosa Weber fizeram considerações sobre o artigo 54 da Constituição, o mesmo evocado agora contra parlamentares radiodifusores.

Barroso disse que a norma "pretendeu prevenir a reunião de poder político e controle sobre veículos [...], com os riscos decorrentes do abuso". Weber afirmou que "há um risco óbvio na concentração de poder político com controle sobre meios de comunicação de massa" e que, sem a proibição expressa na Constituição, "haveria risco de que o veículo, ao invés de servir para o livre debate e informação, fosse utilizado apenas em benefício do parlamentar".

Ela lembrou ainda que "tal distorção" foi reconhecida pelo próprio ex-deputado Marçal Filho que afirmou, no processo, que resolveu virar sócio da rádio em Dourados porque "não teve mais espaço em empresas controladas por seus adversários políticos", conforme divulga o portal 247 Amapá, repercutindo reportagem do jornal Folha de São Paulo.

No Amapá a família Borges é proprietária do sistema Beija-Flor Radiodifusão, Beija-Flor Radiodifusão FM e Beija-Flor Radiodifusão OM. A maioria das emissora é de rádios comunitárias espalhadas nos 16 municípios do Amapá, porém, o "império" na área da comunicação pertencente a família inclui TVs e rádios comerciais, segundo a publicação

Outro argumento das ações da Procuradoria é o do conflito de interesses. Os procuradores lembram que cabe ao Congresso apreciar atos de outorga e renovação de concessões. Conclui então que congressistas radiodifusores "estarão propensos" a votar sempre pela aprovação para não prejudicar futuras análises de seus processos.

As peças citam uma sessão da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara de 2011 que deu aval a 38 concessões e 65 renovações em apenas três minutos e com só um deputado presente. Citam ainda casos de políticos que votaram na aprovação de suas próprias outorgas ou renovações, de acordo com a reportagem.