Senador tucano diz que tentam desviar o foco das investigações com denúncias contra ele — Foto: Divulgação
O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi apontado em um depoimento em delação premiada como suposto beneficiário de R$ 300 mil que teriam sido repassados a ele a mando do doleiro Alberto Youssef, um dos principais investigados da Operação Lava Jato.
O depoimento, homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), foi dado em julho por Carlos Alexandre de Souza Rocha e revelado em reportagem na edição desta quarta-feira (30) do jornal "Folha de S. Paulo", conforme reproduz o portal G1 ao confirmar as informações divulgadas pelo jornal.
Rocha disse que fazia para Youssef serviço de entrega de dinheiro para políticos. Ele afirmou na delação premiada que entregou os R$ 300 mil ao diretor comercial da empreiteira UTC, empresa investigada na Lava Jato por suposta participação em desvio de recursos da Petrobras. Esse diretor, Antonio Carlos D'Agosto Miranda, teria afirmado a Rocha que o dinheiro se destinava ao senador.
Texto divulgado na página de Aécio Neves no Facebook classifica a menção ao nome do senador no depoimento como "absurda e irresponsável" e afirma que "trata-se de mais uma falsa denúncia com o claro objetivo de tentar constranger o PSDB, confundir a opinião pública e desviar o foco das investigações".
Nem o dono da UTC, Ricardo Pessoa, nem o diretor financeiro da empresa, Walmir Pinheiro Santana, citaram Aécio Neves nos depoimentos que prestaram aos investigadores da Lava Jato.
Rocha afirmou no depoimento que questionou Miranda sobre a "agonia por esse dinheiro", entregue ao diretor, segundo disse, "provavelmente" em setembro ou outubro de 2013, no Rio de Janeiro.
De acordo com o depoimento, Miranda fez um desabafo: "Ainda bem que esse dinheiro chegou, porque eu não aguentava mais a pessoa me cobrando tanto".
Rocha disse no depoimento que em seguida perguntou ao diretor quem era essa pessoa e que Miranda teria respondido: "Aécio Neves".
Não conhece
No texto divulgado via Facebook, o senador diz que “a falsidade da acusação pode ser constatada também pela total ausência de lógica: o senador não exerce influência nas empresas do governo federal com as quais a empresa atuava e não era sequer candidato à época mencionada. Além disso, a UTC não executou nenhuma obra vinculada ao Governo de Minas Gerais no período em que o senador governou o estado. O senador não conhece a pessoa mencionada e de todas as eleições que participou a única campanha que recebeu doação da UTC foi a de 2014, através do comitê financeiro do PSDB”.