O senador Delcídio Amaral (PT-MS) vai ser solto depois de negociar acordo de delação premiada com o Grupo de Trabalho da PGR (Procuradoria-Geral da República) encarregado das investigações de políticos envolvidos nas fraudes em contratos entre empreiteiras e outras grandes empresas com a Petrobras. A partir do acordo, o jornal O Globo diz que teria feito revelações importantes sobre a corrupção nos meios político e empresarial. Seriam informações que colocariam a Lava-Jato num patamar ainda mais elevado. Delcídio sempre teve bom trânsito entre políticos dos mais diversos matizes ideológicos, acrescenta o jornal.
A decisão de soltura é do ministro Teori Zavascki, relator da Lava-Jato no Supremo. Delcídio foi detido após ser gravado articulando a fuga do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. O chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira, também será solto. Segundo a PM (Polícia Militar) de Brasília, apenas Eduardo Marzagão, assessor e amigo de Delcídio, está no batalhão junto com o senador. Luís Henrique Machado, um dos advogados do parlamentar, chegou ao batalhão por volta das 16 horas locais.
Na decisão, que está mantida em caráter sigiloso, Zavascki determinou que Delcídio não poderá deixar o país e será obrigado a entregar o passaporte à Justiça. Ele também terá de comparecer quinzenalmente diante de um juiz e cumprir todos os atos processuais para os quais for convocado. Segundo Zavascki, o parlamentar poderá ficar em liberdade, porque a delação de Cerveró já foi concluída. A decisão foi tomada atendendo parecer favorável do MPF (Ministério Público Federal).
Base apreensiva
Os senadores petistas e da base governista da base que votaram, no final do ano passado, pela manutenção da prisão de Delcídio do Amaral ,estão apreensivos com o retorno do ex-líder do Governo no Congresso ao Senado Federal.
A base aliada agora teme, segunda divulga a revista Época, que, de volta à Casa [Delcidio foi autorizado nesta sexta-feira pelo ministro Teori Zavascki a deixar a cadeia], o senador busque alguma forma de retaliação.