O juiz Sergio Moro negou três pedidos de prisão temporária na 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada nesta sexta (4) e que investiga a relação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e familiares com empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção da Petrobras.
O MPF (Ministério Público Federal) e a PF (Polícia Federal) encontraram indícios de que Lula recebeu vantagens indevidas, como um apartamento e reformas em imóveis, além de doações e pagamentos por palestras via Instituto Lula e a empresa LILS Palestras, que pertence ao ex-presidente.
O MPF pediu as prisões temporárias de Paulo Tarciso Okamoto, atual presidente do Instituto Lula; José de Filippi Júnior, ex-presidente do instituto; e Paulo Roberto Valente Gordilho, executivo da OAS encarregado da aquisição e instalação de cozinhas do sítio em Atibaia, frequentado por Lula.
"Entendo que mais apropriado nessa fase o aprofundamento da colheita dos elementos probatórios, sem a imposição da prisão temporária", escreveu Moro no despacho em que determinou a condução coercitiva (em que alguém é levado para depor).
O MPF diz que o instituto recebeu de empreiteiras R$ 20 milhões em doações e que a LILS Palestras recebeu R$ 10 milhões. Investigadores querem saber se os recursos vieram de desvios da Petrobras e se foram usados de forma lícita. Parte do dinheiro foi transferido do Instituto Lula para empresas de filhos do ex-presidente, e o MPF apura se serviços foram de fato prestados.
As suspeitas contra Lula
“São realmente, que nós sabemos, [empresas] que caracterizavam o núcleo duro do cartel que dilapidou o patrimônio da Petrobras. Isso deve ser investigado com o aprofundamento das investigações”, disse o procurador Carlos Fernandes Santos Lima, em entrevista coletiva em Curitiba, nesta sexta-feira.
"Os favores são muitos e são difíceis de quantificar", disse ele, sobre a relação do ex-presidente com as empreiteiras. "Não há nenhuma conclusão no momento, mas os indicativos eram suficientes [para a prisão]", argumentou.
O Instituto Lula nega envolvimento do ex-presidente em irregularidades apuradas na Lava Jato e diz que ele nunca cometeu qualquer ilegalidade.
O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou uma nota no início da tarde desta sexta-feira (4) na qual diz que a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi um "ataque à democracia e à Constituição". A defesa de Lula pediu à Justiça a suspensão da nova fase da Lava Jato, que foi batizada de "Aletheia" (busca da verdade, em grego), conforme reportagem do portal G1.