Na véspera da reunião do diretório nacional em que o PMDB vai decidir se deixará oficialmente o governo, a presidente Dilma Rousseff faz os últimos esforços para assegurar, ao menos em parte, o apoio dos ministros peemedebistas contra a ruptura. Nesta segunda-feira (28), ela recebeu no Palácio do Planalto seis dos sete ministros do partido.
Em outra trincheira, o vice-presidente da República, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, busca apoio unânime para o rompimento com o governo. Afastado da presidente desde o fim do ano passado, Temer tem usado o Palácio do Jaburu – residência oficial da Vice-Presidência – como "quartel-general" das últimas articulações para que o partido abandone de vez o governo federal.
Na manhã desta segunda, a presidente teve audiência com os ministros Eduardo Braga (Minas e Energia), Mauro Lopes (Aviação Civil), Marcelo Castro (Saúde), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia), Henrique Alves (Turismo) e Hélder Barbalho (Portos). O encontro durou cerca de uma hora.
O G1 apurou que somente a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, não estava presente à conversa com Dilma porque teve de viajar às pressas para Goiânia para o enterro de um familiar.
Um dos ministros do PMDB que compareceu à reunião relatou ao G1 que, durante a audiência, eles fizeram um "mapa" dos votos dos diretórios estaduais do partido. "Assim como nas reuniões anteriores com a presidenta, avaliamos o cenário como um todo no PMDB e fizemos um mapa de como deverão votar os diretórios", disse o ministro sob a condição de anonimato.
"Discutimos a reunião de amanhã [terça]. Avaliamos cenários e definimos estratégias", acrescentou outro ministro do PMDB que também não quis se identificar.
Articulações de Temer
Na manhã desta segunda-feira (28), o vice-presidente se reuniu, no Jaburu, com o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB-AM), pouco antes de Braga se reunir com Dilma no Palácio do Planalto. Temer ressaltou no encontro com Braga que já existe ampla maioria a favor do desembarque do governo e, em razão disso, defendeu que a legenda adote uma posição unificada na reunião desta terça (29) da executiva nacional para demonstrar uma imagem de união.
Caso Dilma venha a ser afastada por conta do processo de impeachment em análise na Câmara dos Deputados, o vice Michel Temer assumiria o comando do País.