O ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal), autorizou nesta sexta-feira (20) a inclusão de informações sobre o banqueiro André Esteves, passadas pelo ex-senador Delcidio do Amaral (ex-PT), na denúncia em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é acusado de tentar comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró.
Em delação premiada, Delcidio afirmou que Esteves "é um dos principais mantenedores do Instituto Lula" e que "isso se deve a Lula ter sido um grande 'sponsor' [patrocinador] dos negócios do [banco] BTG". A inclusão dessas informações foi pedida pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que apontou "estreito relacionamento" entre André Esteves e o Instituto Lula.
Janot considera que, embora as doações do banqueiro para o instituto não constituam crime, o contexto em que foram feitas é "extremamente relevante" para investigações em andamento sobre o ex-presidente, "especialmente a que trata de possível prática de crime de lavagem de dinheiro envolvendo o pagamento de suas palestras".
Delcidio também disse, em delação premiada após ficar 85 dias na cadeia, que Lula se utilizou de relações pessoais com chefes de Estado, especialmente na África, para alavancar negócios, mas que "não tem conhecimento de que isso tenha ocorrido em favor do Banco BTG".
A denúncia contra Lula na Lava Jato diz que ele se juntou a Delcidio e a José Carlos Bumlai, pecuarista e amigo do ex-presidente; ao filho de Bumlai, Mauricio Bumlai, e atuaram para comprar por R$ 250 mil o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
O Instituto Lula alega que o ex-presidente "jamais" tentou interferir na conduta de Cerveró ou em qualquer outro assunto relacionado à Operação Lava Jato. Em nota divulgada nesta quinta (19), o instituto declarou que Lula já esclareceu em depoimento prestado à Procuradoria Geral da República que jamais conversou com Delcidio sobre o assunto. Com informações do portal G1