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Posição de Dourados em ranking mostra que desafios devem ser encarados de frente, diz Murilo

28 de agosto 2016 - 23h19 Por DOURANEWS
Posição de Dourados em ranking mostra que desafios devem ser encarados de frente, diz Murilo Ranking realizado por revista IstoÉ mostra Dourados entre as melhores cidades do Brasil — Foto: Arquivo/Douranews

O prefeito Murilo Zauith (PSB) comentou, neste domingo (28), o mais recente trabalho realizado pelo jornal Folha de S. Paulo, em conjunto com o instituto Datafolha, mostrando quais prefeituras entregam mais serviços básicos à população usando menor volume de recursos financeiros. Os dados são referentes ao ano de 2013. O Ranking de Eficiência de Municípios leva em conta indicadores de saúde, educação e saneamento para calcular a eficiência da gestão e apresenta dados de 5.281 municípios, ou 95% do total de 5.569 cidades brasileiras. Na escala de 0 a 1, apenas 24% das cidades ultrapassam 0,50 e, por isso, podem ser consideradas eficientes.

De Mato Grosso do Sul, Cassilândia é a primeira cidade apontada no Ranking, na posição 1247, seguida de Anastácio, Fátima do Sul, Campo Grande e Paranaíba. A capital do Estado, por exemplo, aparece na posição 1869 e Dourados é classificada em 4.209º. lugar, porém, os números de Dourados, comparativamente, ainda são melhores que os da Capital. Com uma receita estimada de R$ 729 milhões, Dourados aplicou, em 2013, 25% do Orçamento na Educação e 37% na Saúde, enquanto dos R$ 2,4 bilhões arrecadados, a capital do Estado investiu 22% na Educação e 36% na Saúde.

“Esses dados revelam o desafio que se apresenta para o futuro prefeito, que deverá continuar encarando os problemas de frente, sem omitir informações, priorizando a transparência que adotamos nesses cinco anos. Veja que, pelos números de 2013, estamos deixando a cidade em um patamar de realidade possível de ser continuado com gestão eficiente e responsável”, observou Murilo.

Segundo o prefeito de Dourados, é preocupante, entretanto, os números apurados no levantamento em relação à capital do Estado, considerando que Campo Grande vinha de 16 anos seguidos de boas administrações na Prefeitura e foi colocada no critério de ‘alguma eficiência’. Ao contrário, em Dourados, Murilo assumiu a Prefeitura em 2011 depois de uma sucessão de três prefeitos em dois anos e das denúncias de corrupção e escândalos financeiros que levaram para a cadeia um prefeito, um vice-prefeito e nove vereadores.

Murilo disse ainda que, se em dois anos foi possível manter 69% das crianças entre 4 e 5 anos na escola, se a cidade chegou a 93% da coleta de lixo domiciliar, levou a Atenção Básica de Saúde a 62% da população local, sem contar os serviços oferecidos a pacientes de outras 38 cidades do entorno regional e assegura uma receita per capta da ordem de R$ 3.500, “fica claro que o próximo prefeito não terá as dificuldades que tivemos para melhorar esses índices e continuar projetando Dourados como uma das melhores cidades de porte médio do País para se investir”.

Dependência e encargos

Cerca de 70% dos municípios brasileiros dependem hoje em mais de 80% de verbas que vêm de fontes externas à arrecadação das cidades. E, como maiores empregadores do país (com 6,3 milhões de funcionários), muitos municípios dizem atravessar hoje uma das piores crises.

A CNM (Confederação Nacional dos Municípios) estima que a maior fonte de recursos de 60% das prefeituras, o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) terá queda de 10% neste ano, reduzindo-se a R$ 90 bilhões. Em 2015, ele já havia encolhido 2,3%, descontada a inflação.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, afirma que o crescimento dos gastos e aumento do funcionalismo em alguns municípios são justificados pelo aumento das atribuições das prefeituras nas últimas décadas, período em que a Constituição de 1988, a União e o Congresso passaram aos prefeitos centenas delas, sobretudo na saúde e na educação. Até 1988, segundo a CNM, as prefeituras tinham 40 mil servidores na saúde. Para atender às novas atribuições encampadas ao longo dos anos, elas tiveram que expandir esse número para o 1,5 milhão atual, como mostra a reportagem do jornal.

Ziulkoski também reclama que a União hoje paga valores baixos nos programas que subsidia. No Saúde da Família, por exemplo, as prefeituras com até 30 mil habitantes recebem R$ 10.695/mês por equipe. O gasto médio chega a R$ 32.500, segundo a CNM. Na merenda, R$ 0,30/dia por aluno, para um custo de R$ 2,50.