Plenário foi esvaziado depois de seis minutos de sessão — Foto: Kleber Clajus/Correio do Estado
Seis minutos foram necessários, hoje, para informar vereadores sobre a renúncia do vice-prefeito Gilmar Olarte (Pros). Implicações sobre a decisão, no entanto, ainda estão sendo avaliadas nos bastidores diante de possível delação premiada.
“Não posso dar opinião sobre questão jurídica. Estamos cumprindo a Lei Orgânica e o regimento interno. Sempre se comentou [sobre a renúncia], mas todas as especulações são de foro íntimo”, desviou o presidente da Câmara Municipal, João Rocha (PSDB).
Marcos Alex (PT), por sua vez, se mostrou preocupado com desdobramentos de uma renúncia inédita que resulta em mais dúvidas do que certezas sobre o futuro. Já Otávio Trad (PTB) pontuou que a medida apenas muda grau de tramitação de processos contra Olarte para a primeira instância.
Cinco linhas de texto foram lidas, em plenário, antes de reunião com 18 dos 29 vereadores. Houve quem comparou a reviravolta com um cassino, enquanto outros como Roberto Durães (PSC) e Luiza Ribeiro (PPS) chegaram sem compreender o que ocorria no Legislativo.
Descrença e apreensão, no entanto, dividem espaço nos bastidores sobre possível delação premiada de Olarte. Seu defensor, Jail Azambuja, nega que isso seja prioridade. “Delação premiada é uma das possibilidades para momento posterior, porque mais urgente é resolver a questão das prisões”.
ENTENDA O CASO
Gilmar e Andréia Olarte foram presos no dia 15, em razão da Operação Pecúnia, deflagrada pelo Gaeco. O órgão, braço do Ministério Público, apura lavagem de dinheiro obtido supostamente por meio de corrupção, na época em que ele era prefeito e Andréia, primeira-dama.
Olarte já responde pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Adna, deflagrada em 2014, e por associação criminosa e corrupção ativa no processo resultante da Coffee Break, ambas também comandadas pelo Gaeco.