Lídio sentado falou ontem de sua insatisfação na base — Victor Chileno / ALMS
O governador de Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja (PSDB), negou as acusações do deputados estadual Lídio Lopes (PEN) sobre acordo feito entre eles para definir quem seria presidente da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) na Assembleia Legislativa. “Lídio está equivocado. Não teve acordo. Essa fala do deputado não é verdadeira”, contestou Azambuja.
Reinaldo alegou ainda sobre o combinado era entre o PSDB e o presidente do Legislativo, deputado estadual Junior Mochi (PMDB). “O pacto foi feito com o presidente da Casa. Isso faz parte de um entendimento da reeleição do atual presidente da Assembleia”, revelou.
Confirmando sua fala anterior, Lídio respondeu a negação de Azambuja. “Compromisso a gente cumpre e eu levo isso a sério. Lamentável que ele (governador) disse isso. Vou analisar minha saída da base, até porque não tenho mandato com faca no pescoço, não tenho barganha com meu mandato”, declarou.
Outros que manifestaram suas defesas foram os deputados Renato Câmara (PMDB) e o próprio Junior Mochi. “Achei engraçado ele me acusar, pois eu represento um bloco e não posso dar meu voto pessoal”, explicou o deputado Câmara. Com três votos a dois, Lídio perdeu a eleição. “Fizeram a cabeça do Câmara e ele mudou seu voto”, declarou o deputado do PEN.
Além de seu voto, Lídio contou com a parceria do deputado estadual Pedro Kemp (PT), mas foi vencido pela maioria dos votos do líder do Governo Rinaldo Modesto (PSDB), do tucano Beto Pereira e do seu colega de bloco, Renato Câmara.
O presidente do Legislativo havia advertido sobre as consequências que teriam o resultado da eleição. “Infelizmente alguém vai ficar chateado comigo, mas esse é o meu papel, vou ter que decidir”, declarou Mochi dias atrás.
Interrogado sobre a reação de Lídio e como o parlamentar se comportou após sua derrota, Mochi declarou que isso é normal e que “ele (Lídio) teve pretensão legítima”. “A disputa foi definida democraticamente e a minha relação com Lídio extrapola limites do parlamento. Conheço ele desde os seus 14 anos. Essa questão não muda nada em nosso relacionamento e se ele quiser sair a decisão é pessoal”, finalizou Mochi.
Impasse
O impasse na eleição da Comissão de Constituição e Justiça revelou que a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa foi composta mediante acordo entre o Executivo, Legislativo e as lideranças de base. “O acordo foi feito com o presidente da Casa de que a CCJ seria ocupada por um membro do PSDB”, afirmou o governador Reinaldo Azambuja.