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Política

Carlos Marun diz que não usará delação em CPI nacional

16 de novembro 2017 - 11h23 Por Izabela Jornada/CE
Carlos Marun diz que não usará delação em CPI nacional Deputado e relator da CMPI da JBS, Carlos Marun — Antonio Augusto/Câmara dos Deputados

Relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS no Congresso Nacional, o deputado federal Carlos Marun (PMDB) foi contraditório ao falar sobre a investigação do frigorífico, que também atuava em Mato Grosso do Sul.

Anteriormente, o deputado afirmou que o relatório da CPI local, conduzido pela Assembleia Legislativa, ajudaria o processo nacional. Agora, quando o ex-governador André Puccinelli está envolvido, Marun ponderou que não incluirá a delação de Ivanildo da Cunha Miranda.

"Não dá para usar delação regional na nacional. Mas eu quero ouvir a delação, sim. Só que não dá para usar na CPI da JBS nacional não", afirmou.

Indagado sobre o motivo de ele ter afirmado anteriormente que iria utilizar relatório das investigações feitas pela Assembleia Legislativa na CPI da JBS nacional, ele respondeu: "vou ouvir a delação do Ivanildo".

"Palavra de delator é palavra de bandido. Toda delação tem que ser corroborada com provas. Todo delator é bandido porque faz em troca de vantagem. Delação não tem validade", criticou Marun.

O pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda fez acordo com o Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul e em 4 de agosto deu detalhes de como funcionava a cobrança e distribuição de propinas. A delação foi homologada em 14 de agosto deste ano pelo juiz federal substituto da 3ª Vara Federal de Campo Grande, Fábio Luparelli Mgajewski.

Parte dos valores recebidos por Ivanildo eram entregues em espécie ao ex-governador André Puccinelli, segundo o delator, confirmando que comandou operações de recebimento de propina da empresa JBS a André Puccinelli entre 2006 e 2013 e a outros políticos do Estado, até 2014. Os pagamentos eram feitos em troca de concessão de benefícios fiscais ao frigorífico.