Câmara se prepara para virar grande palanque eleitoral de 2018 a partir de fevereiro — Arquivo Douranews
Gastos de R$ 491.791,00 com produtora de vídeo e de R$ 391.261,00 com agência de publicidade, este último por um período de apenas três meses, são os principais ‘investimentos’ realizados durante o primeiro ano de mandato à frente da presidência da Câmara de Dourados pela vereadora Daniela Hall (PSD), agora entrando em 2018 com pose de pré-candidata a deputada estadual.
Sem contar os R$ 6.890 a que teve direito, a título de diárias para viagens, a maioria para Campo Grande, onde tem sido vista com muita frequência, a presidente da Câmara ainda conseguiu coroar o primeiro ano no comando da casa com aquisições significativas, como a contratação de uma empresa do interior de São Paulo para a troca de todas as cortinas do prédio da Câmara, por quase R$ 100 mil e ainda a compra de mobiliário novo para os gabinetes e mais um carro [a Câmara já dispõe de três veículos] novo.
No final do ano, a vereadora ainda fez questão de assumir a paternidade pela devolução de recursos da ordem de aproximados R$ 6 milhões, para que a prefeita Délia Razuk pudesse manter, pelo menos, a política de escalonamento de salários dos servidores do Município, adotada desde setembro, dinheiro recebido a mais nos repasses mensais do duodécimo feitos pelo próprio Executivo para custeio das atividades dos vereadores.
"No início da gestão, a Mesa Diretora decidiu que gastaria o dinheiro na reforma do prédio da Câmara, mas, no decorrer do ano, nós entendemos que estamos em um momento de crise, por isso resolvemos devolver as sobras", ainda comentou a vereadora Daniela Hall.
Crise à vista
O vereador Cirilo Ramão (PMDB), segundo secretário da Mesa Diretora da Câmara, que se disse “apanhado de surpresa” com a iniciativa da presidente da Casa em manter processo de licitação cercado de ‘boatos’ para a contratação de agência de publicidade, reafirmou, no final do ano, que espera a ação do Ministério Público quanto a boatos “de que um grupo estaria realizando reuniões para encontrar formas de se beneficiar” através do contrato de comunicação.
Segundo o vereador, a participação do MP no sorteio da subcomissão técnica para avaliar os trabalhos apresentados pelas agências participantes foi de extrema importância para garantir transparência e legalidade no certame, porém, o que leva o vereador a questionar o processo vai além do processo burocrático. “Não disse que a licitação está irregular, pelo contrário, atende toda a legalidade. É preciso de esclarecimentos e investigações a respeito da possibilidade de beneficiar algumas pessoas, mas isto, segundo os rumores, está sendo feito na surdina. Se estiver realmente acontecendo temos o dever de desmascarar os envolvidos”, revelou, em público, durante uma das últimas sessões do ano passado.