Estimulado pela série contínua de chuvas, mato cresce nos canteiros centrais e desafia nova administração — Divulgação
A administração do prefeito Alan Guedes (PP) completa os primeiros 30 dias em Dourados nesse domingo (31) e a população aguarda, com expectativa, pelas medidas de impacto anunciadas durante o período da campanha eleitoral e depois, após a posse, no dia 1 de janeiro, quando foram anunciadas, como prioridades, a completa limpeza da cidade e um programa emergencial de saúde.
Para avaliar o primeiro mês de ação do novo prefeito, o DOURANEWS preparou um rápido questionário, com três perguntas básicas, encaminhadas via e-mail, e pela ferramenta de WhatsApp, ao prefeito e aos adversários diretos da disputa eleitoral de 15 de novembro do ano passado.
Ao prefeito Alan Guedes, o DOURANEWS perguntou:
- Como o senhor avalia os primeiros 30 dias da atual gestão?
- O que ainda não fez e que gostaria de ter feito? E o que fez e não queria ter feito?
- Se não fosse prefeito, como estaria avaliando esse momento atual do Município?
Aos concorrentes diretos Wilson Matos (PTB), Mauro Thronicke (PSL), Racib Harb (Republicanos) e Barbosinha (DEM), o DOURANEWS perguntou:
- Como o senhor avalia os primeiros 30 dias da atual gestão?
- Se tivesse sido eleito, o que teria feito até agora?
- Sobre o eleito, o que acha que a gestão deveria ter feito nesse período?
A Assecom (Assessoria de Comunicação) da Prefeitura não respondeu ao questionamento encaminhado via e-mail na sexta-feira (29) e reencaminhado neste sábado (30), com pedidos de respostas sobre a avaliação da gestão. O deputado Barbosinha, que ficou em segundo lugar na disputa, preferiu resumir com a observação de que “30 dias é um prazo muito curto pra avaliar e quem perde a eleição precisa se resguardar de falas imprecisas”.

Já o terceiro colocado na disputa, o farmacêutico Racib Harb, considerou que “os equívocos desses primeiros 30 dias poderiam ser minimizados se a transição tivesse identificado os problemas que acusaram logo no início, poderia ter um diagnóstico mais preciso e evitaria pelo menos o parcelamento dos salários, pois no relatório de transição apresentado em nenhum momento colocaram a falta dos recursos como prioridade nos 30 dias iniciais”.
Mauro Thronicke, o quarto mais votado das eleições de novembro de 2020, entende que o primeiro mês de mandato “é o momento de receber informações, coordenar as nomeações, formação da equipe, e há um planejamento para os primeiros 100 dias, temos que aguardar a fala do prefeito para saber se atingiu a meta esperada dos 30 dias iniciais”.
O advogado Wilson Matos disse: “Estou na torcida, como todo cidadão douradense, para que o novo prefeito consiga implementar o tão propalado choque de gestão, sem o qual, na minha modesta opinião a máquina administrativa não conseguirá sobrepor os desafios”.
O que teria feito
Racib ainda disse que, se tivesse sido eleito, “o corte imediato dos 50% dos cargos em comissão sem a recontratação como estamos vendo aos poucos” já teria sido executado, além do que, na Educação, citou, a estruturação da rede de educação para atender os protocolos sanitários para o retorno as aulas teria sido implantada. A instalação de uma Auditoria Externa nas contas da Prefeitura “e principalmente da Funsaud [a Fundação de Saúde do Município], que em 4 anos, receberam mais de 240 milhões de reais, e não ficaria aguardando CPI da Saúde para administrar essa situação…”

Thronicke disse que, se eleito, estaria trabalhando “arduamente” com a equipe escolhida, com as entidades de classe e com a sociedade em geral. “Os desafios seriam muitos, não tenho dúvidas, além do que há fatores que causam ainda mais preocupações, tais como: a pandemia de Covid-19, as fortes chuvas durante todo o mês de janeiro, e a falta de dinheiro para o munícipio”.
O ex-candidato Wilson Matos disse que tinha “um plano de gestão diferenciado, idealizado a muitas mãos, construído por pessoas simples, mas conhecedora dos problemas crônicos de Dourados, infelizmente não foi a que o povo escolheu”. Segundo ele, Dourados precisa de uma administração que valorize a importância de se modernizar a gestão pública, na relação com as pessoas, com os agentes públicos, com o meio ambiente e, para essa mudança, “é necessário tratar com distinção modernização organizacional e modernização administrativa”.
O que já deveria ter sido feito
Racib Harb acredita que nos primeiro 100 dias o novo prefeito ainda vai “cortar todos os gastos desnecessários, rever todos os contratos e convênios, suspender pagamentos focando no básico e essencial para o funcionamento da máquina, abrir as contas para a sociedade e mostrar de verdade o que foi encontrado. Afinal todos nós que fomos candidatos sabíamos o que poderíamos encontrar e nada seria agradável, agora só acusar não pode ser o caminho, devemos mostrar de fato qual foi o saldo encontrado no dia 1 de janeiro. Estamos acompanhando o Portal da Transparência e iremos continuar a fiscalizar a aplicação dos recursos e torcer para o prefeito ter sucesso”, concluiu.
Mauro Thronicke preferiu “não ser injusto” ao apontar o que deveria ter feito nesses 30 dias, “pois com as dificuldades apontadas no relatório de transição, a falta de recursos, sem a contratação de empresa para a limpeza urbana, obras inacabadas, a saúde em colapso, considero que por enquanto não seria apropriado dizer o que deveria ter feito, pois pode ser que tenha feito e ainda não sabemos”, resumiu, diante das poucas informações que vieram à público neste primeiro mês da atual administração.

Wilson Matos também foi econômico na terceira resposta: “Manda a boa ética que eu não interfira já que fui um concorrente ‘derrotado’, a menos que seja instado pelo novo alcaide, posso sim contribuir com a minha cidade. Não sei se ele fez, não observei, mas o cuidado com as mudanças, principalmente na troca dos colaboradores nomeados, não pode ser forma de forma abrupta. Tirar um apadrinhado com 4 anos ou mais de experiência e substituir por outro apadrinhado seu, a única diferença é que ele é ‘seu’, mas muitas vezes a experiência com a coisa pública é zero. No nosso plano, pensávamos em fazer a mudança de 20% em janeiro, incluindo os secretários, 40% em março/abril e os outros 40% seria feito paulatinamente até o final de 2021, para não sacrificar os serviços essenciais e o atendimento ao público, especialmente para implementar o choque de gestão”. Para o primeiro indígena que se habilitou até agora a disputar a Prefeitura de Dourados, “se o novo alcaide não fez isso, penso que deve corrigir o rumo da sua gestão, ainda há tempo e os desafios são muitos”.