Em manifesto na frente da casa do prefeito, comerciantes pediram para abrir as portas em delivery no lockdown — Divulgação
O empresário Mauricio Barreto, da loja evangélica Melodia Cristã, localizada na rua Joaquim Teixeira Alves, no centro de Dourados, se manifestou nesta sexta-feira (23), em áudio que circulou nas redes sociais, pelo fato de ter sido notificado a prestar depoimentos na Polícia Civil, após ser denunciado pela mulher do prefeito Alan Guedes (PP), Kelly França.
De acordo com a citação, apresentada pela escrivã ao interpelar o empresário, a mulher do prefeito envolveu o nome dele e de outros participantes em manifesto realizado no final de março, quando Alan Guedes se recusou a atender solicitação dos empresários para que continuassem atuando, pelo menos, na modalidade delivery, durante o período de restrições ao enfrentamento da pandemia do coronavírus em Dourados.
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A esposa dele registrou BO (Boletim de Ocorrência) na Polícia Civil, alegando ter sofrido com o “incômodo e perturbação” quando um grupo de representantes do comércio se reuniu em frente da casa do prefeito, em manifesto pacífico. Ainda assim, Kelly mandou chamar a Guarda Municipal. O prefeito não estava na casa no dia do manifesto, segundo se apurou logo depois.
“Fui na delegacia e enfatizei que não houve liderança, não tinha gente à frente, foi um manifesto de indignação dos trabalhadores que queriam, simplesmente, o direito de trabalhar”, reagiu o empresário, afirmando que o grupo foi denunciado pela mulher do prefeito que registrou o BO. “Se fosse pra reunir gente e ir pedir votos pra ele, podia né”, comentou ainda o dono do estabelecimento.
Manifestações
Desde que assumiu o mandato, há quase sete meses, Alan Guedes já enfrentou, em média, um protesto por mês em Dourados. Primeiramente, ele enfrentou servidores da UPA e do Hospital da Vida, teve manifestos de trabalhadores da Fundação de Saúde, do Movimento dos Sem-teto e já, em outra ocasião, enfrentou protestos dos representantes do comércio, quando da primeira investida para tentar fechar o comércio; nessa ocasião, inclusive, manifestantes foram até a casa dele, e agora estão sendo intimados após reclamação da mulher do prefeito.
Na última e maior manifestação, quando anunciou o decreto de lockdown, proibindo os comerciantes até o direito de funcionar com as portas fechadas e manter o sistema de entrega em delivery durante o período de restrição para a abertura do expediente ao público, Alan Guedes mandou prender empresários e depois ainda notificou, com multas, participantes da carreata que tomou as ruas centrais e o pátio da Prefeitura.