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Alan Guedes reage à 'farra da publicidade' e manda processar vereadora Lia Nogueira

10 de agosto 2021 - 14h11 Por Redação Douranews
Alan Guedes reage à 'farra da publicidade' e manda processar vereadora Lia Nogueira Alan Guedes e Lia Nogueira: 'a amizade que se tinha durou pouco e se acabou' após as eleições — Divulgação

A Câmara de Vereadores instalou, em deliberação que durou menos de meia hora, durante a sessão desta segunda-feira (9), uma comissão processante para investigar possível quebra de decoro parlamentar cometido pela vereadora Lia Nogueira (PP).

Analistas políticos interpretaram a rápida mobilização legislativa como ‘resposta’ do chamado núcleo duro do Poder local, conduzido pelos parceiros de primeira hora que convenceram o prefeito Alan Guedes (do mesmo PP da vereadora) a, enfim, se manifestar sobre denúncias que Lia Nogueira vem fazendo sobre suposto escândalo na distribuição de verbas publicitárias.

Em março deste ano, da tribuna da Câmara, a vereadora - única eleita na coligação vitoriosa do prefeito Guedes, denunciou que, enquanto presidiu a Câmara de Vereadores, entre os anos de 2019 e 2020, o atual prefeito decidiu favorecer o atual Chefe de Gabinete Alfredo Barbara Neto, priorizando cerca de 40% do total das verbas de campanhas da Casa com o combalido jornal DiárioMS e o inexistente portal mantido pela empresa ABN, as inicias do nome do ousado assessor direto.

O placar foi 8 a 7

Foram favoráveis à abertura de investigação contra a vereadora Lia os vereadores Elias Ishy (PT), Maurício Lemes (PSB), Marcão da Sepriva (Solidariedade), Cemar Arnal (Solidariedade), Jânio Miguel (PTB), Daniela Hall (PSD), Daniel Junior (Patriotas) e Sérgio Nogueira (PSDB), grupo que dá sustentação política para o prefeito Alan Guedes (PP) no Legislativo.

A denúncia da ex-assessora parlamentar Patrícia Brandão que teria sido ameaçada por Lia Nogueira durante festa de confraternização – veja o contexto da manifestação nesse sentido e que depois disse que foi insistentemente procurada por emissários do prefeito com a oferta, inclusive, de um suborno de R$ 500 mil para trair a vereadora, recebeu os votos contrários de Olavo Sul (MDB), Fábio Luis (Republicanos), Diogo Castilho (DEM), Juscelino Cabral (DEM), Rogério Yuri (PSDB), Márcio Pudim (DEM) e Marcelo Mourão (Podemos).

Ausentes, Liandra Brambilla (PTB) e Creusimar Barbosa (DEM), mais o presidente da Câmara, Laudir Munaretto (MDB), que só votaria em caso de empate e Lia Nogueira, como parte denunciada e impedida de votar, completaram placar. A comissão processante será presidida por Juscelino Cabral e terá como relator Jânio Miguel. Maurício Lemes será membro. O grupo tem 90 dias para apurar a denúncia.

O TROCO

A vereadora Lia Nogueira investiga suposto desvio de R$ 1 milhão dos cofres da Câmara quando era presidida por Alan Guedes (PP), em 2019 e 2020. Ela já encaminhou o caso, junto com farta documentação obtida da Câmara, ao Ministério Público de Dourados e à Procuradoria de Justiça do Estado.

O placar apertado para a instalação da comissão processante contra a vereadora, inclusive, acende o sinal amarelo nas relações do Executivo com o Legislativo e indica que, se até agora o prefeito contava com maioria folgada para aprovar todas as matérias, entre elas a criação de salários diferenciados para atender aliados preferenciais, poderá enfrentar dificuldades em eventuais deliberações que venham a exigir quorum qualificado para as deliberações.