Vereadora juntou documentação sobre escândalo que envolve prefeito e assessor e entregou no MP — Divulgação
A vereadora Lia Nogueira (PP) requereu na tarde desta quarta-feira (11) o arquivamento da Comissão Processante instalada na segunda-feira (9) na Câmara para investigar se houve quebra de decoro parlamentar tendo como base denúncia formulada pela ex-assessora Patrícia Brandão, que no mesmo dia alegou ter sido procurado por emissários do prefeito Alan Guedes (PP) com uma proposta de meio milhão de reais para denunciar a ex-chefe.
No requerimento, protocolado na Câmara, segundo publica o site Folha de Dourados, Lia Nogueira alega que o rito de instalação preconizado pela Procuradoria Jurídica da Câmara é ilegal porque teria infligido o Regimento Interno e a Lei Orgânica do Município, conforme divulgou, mais cedo, o DOURANEWS.
A ex-assessora Patrícia Brandão alega ter sido ameaçada por Lia Nogueira durante festa de confraternização e protocolou requerimento com pedido de cassação do mandato da ex-chefe, documento que poderia dar contornos diferentes ao caso com o envio, para a Polícia, de prints de conversa com a amiga Renata Chaparro, relatando suposta proposta de suborno de R$ 500 mil oferecida por emissários do prefeito Alan Guedes “para mudar de lado”.
A Comissão Processante foi instalada com placar foi 8 a 7. Foram favoráveis os vereadores Elias Ishy (PT), Maurício Lemes (PSB), Marcão da Sepriva (Solidariedade), Cemar Arnal (Solidariedade), Jânio Miguel (PTB), Daniela Hall (PSD), Daniel Junior (Patriotas) e Sérgio Nogueira (PSDB). Votaram contra: Olavo Sul (MDB), Fábio Luis (Republicanos), Diogo Castilho (DEM), Juscelino Cabral (DEM), Rogério Yuri (PSDB), Márcio Pudim (DEM) e Marcelo Mourão (Podemos).
Estavam ausentes Liandra Brambilla (PTB) e Creusimar Barbosa (DEM). O presidente da Câmara, Laudir Munaretto (MDB), votaria em caso de empate. Lia Nogueira, como parte interessada, estava impedida de votar. A comissão processante é presidida por Juscelino Cabral e tem como relator Jânio Miguel. Maurício Lemes será membro. O grupo terá 90 dias para apurar a denúncia realizada pela ex-assessora de Lia.
A vereadora atribui o fato de o prefeito ter mobilizado a base de apoio, agora rachada na Câmara, para pedir o mandato dela ao fato de estar à frente dos pedidos de apuração do escândalo patrocinado por Alan Guedes quando presidiu a Câmara de Vereadores (entre 2019 e 2020) e distribuiu ao aliado Alfredo Barbara Neto, hoje chefe de Gabinete da Prefeitura, perto de R$ 1 milhão em verbas publicitárias. O caso que ficou conhecido como 'farra da publicidade' já foi encaminhado ao Ministério Público de Dourados e à Procuradoria de Justiça do Estado.