Ari Artuzi no Douranews em 2011, após deixar prisão — Arquivo
O ex-prefeito Ari Artuzi, que iniciou a carreira política como vereador em Dourados a partir de 2000, ainda é considerado o maior fenômeno eleitoral quando o assunto é a soma de votos para a busca de uma vaga para a Assembleia Legislativa em Mato Grosso do Sul, por exemplo. Na história da cidade, até hoje, apenas ele conseguiu obter mais de 31 mil votos no colégio eleitoral do Município.
Em agosto do ano que vem vai completar dez anos da morte do ex-prefeito, que antes de morrer ainda enfrentou um câncer no intestino por dois anos e, depois de empossado prefeito, em janeiro de 2009, passou por duas operações de investigação policial por escândalos atribuídos à sua gestão, em julho de 2009 e depois em setembro de 2010, quando acabou preso e nunca mais voltou ao cargo.
Ari Artuzi chegou em Dourados em 1992, proveniente de São Valentim/RS, para trabalhar como ajudante de caminhão de transporte de toras de madeira na serralheria Sucupira, do tio Dioclécio, de quem se transformou em cabo eleitoral nas duas campanhas para vereador, em 1992 e 1996. Com a morte do tio, Ari herda a base eleitoral, e em 2000 é eleito vereador, com 1.544 votos.
A partir daí nascia um fenômeno popular no meio político. Dois anos depois, Artuzi se lança à deputado estadual, sendo eleito pelo minúsculo PMN (o Partido da Mobilização Nacional), com 6.821 votos, dos quais, 6.529 apenas nas urnas de Dourados. É reeleito em 2006, já pelo então PMDB, obtendo 36.960 votos no Estado (31.342 em Dourados) e no ano seguinte entra no PDT, partido pelo qual viria a ser eleito prefeito, com 45.182 votos, em 2008. Ele derrotou o então vice-governador do Estado, Murilo Zauith (DEM), à época no Governo de André Puccinelli. Zauith, atualmente no União Brasil, é o vice-governador de Reinaldo Azambuja (PSDB).
Mais longevo
O político de maior durabilidade na vida política do Município, entretanto, é o deputado estadual reeleito nas eleições do dia 2 passado para o oitavo mandato na Assembleia Legislativa, o líder ruralista Zé Teixeira, que estreiou em 1994, ainda tendo como principal base eleitoral a cidade de Caarapó, onde iniciou e permanece estabelecido na atividade agropecuária, obtendo 13.303 votos no Estado, 6.313 deles em Dourados, onde mantém escritório de compra a venda de gado desde o início dos anos 90.
De lá prá cá, a trajetória de Teixeira, entre altos e baixos nas urnas de Dourados, ganhou ramificações em praticamente todo o Estado e é marcada pela fidelidade partidária [disputou sete eleições pelo PFL, depois DEM] e só agora, em ato de lealdade ao governador Reinaldo Azambuja, migrou para o PSDB, onde se saiu o quinto mais votado, com 39.329 votos, dos quais, 8.176 em Dourados. Confira os números da carreira: 1998 = 15.890 (5.357 em Dourados); 2002 = 20.209 (6.626); 2006 = 28.696 (5.242); 2010 = 41.991 (12.546); 2014 = 32.069 (7.384); e 2018 = 30.788 (6.562).
Em meio à descrença do eleitor em relação aos políticos, as urnas de 2022 mostraram, por exemplo, uma apatia comprovada de 440.467 eleitores de Mato Grosso do Sul que não votaram para deputado estadual. Ainda assim, o município de Dourados ainda elegeu quatro parlamentares. Fora Teixeira, garantiram vaga na Assembleia: Renato Câmara, pelo MDB, com 17.749 (3.795) contra 33.291 (9.375) de 2018 e 36.903 (4.487) de 2014; Neno Razuk, pelo PL, com 17.022 (3.115) contra 19.472 (6.846) do primeiro mandato, em 2018.
Nessa votação entrou, pela primeira vez, Lia Nogueira, pelo PSDB, com 15.155 votos (12.883), que contribuíram para tirar a vaga do radialista Marçal Filho [24.758 (16.151) depois de eleito em 2014 com 25.437 votos] sendo 19.021 só em Dourados, onde o segundo maior pontuador, depois de Artuzi, ainda é o ex-prefeito (2000/04-2005/08) Laerte Tetila, do PT, com 19.648 votos dos 21.781 obtidos em 2010 no Estado, seguido do médico George Takimoto, com 23.646 votos (18.174) no mesmo pleito.