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Getúlio atropelou início da 'nossa democracia'

A formação política foi interrompida pelo Estado Novo

20 de dezembro 2022 - 07h53 Por Com arquivos do CDR/UFGD
Getúlio atropelou início da 'nossa democracia' Monumento a Getúlio, deslocado do centro para saída da cidade — Douranews

Em um período de revoluções, desordens, recursos pífios e quando a valentia se media pelos revólveres em coldres, os primeiros moradores tinham uma vida calejada na dura lida do campo seja criando gado, colhendo erva-mate, plantando para subsistência ou cortando madeira de lei. Foi nesse período que a Câmara Municipal de Dourados foi instalada juntamente com o município e a Prefeitura de Dourados em 20 de Dezembro de 1935, formando primeiramente o “Conselho Consultivo da Villa de Dourados”, atuando inicialmente de 22 de janeiro de 1936 a fevereiro de 1937. 

No início apenas três membros incluindo o presidente que foram nomeados pelo governador de Mato Grosso, Mário Corrêa, cuja escolha se deu entre os notáveis da época, o Conselho Consultivo da Villa de Dourados, através de seu primeiro presidente, Nelson de Araújo, lançou os alicerces da democracia em um tempo no qual a influência dos coronéis paisanos e grandes latifundiários era decisiva. A então “Villa de Dourados” tinha pouco mais de 15 mil pessoas. Esse Conselho foi o que definiu os lotes do povoado, viabilizou verba para se instalar a cadeia, contratar professores, criou o cargo adjunto de professor e estabeleceu as bases dos tributos imobiliários.

Os vereadores tinham pressa e trabalharam com afinco para atender a população e organizar a instituição Câmara e suas relações com o Executivo. Foi a partir daí que o Conselho Consultivo da Villa de Dourados passou a se chamar Câmara Municipal de Dourados e passou a ter sessões diárias que às vezes entravam noite adentro para se definir o Regimento Interno, Código de Posturas, Orçamento, entre outros assuntos básicos da estrutura administrativa. Tentavam impor independência e liberdade política. A Câmara reservou área para Ministérios, para o campo de aviação, para as Escolas Reunidas, para o colégio dos padres, para a prefeitura, para escolas e patrimônios. 

Dourados despertava para um futuro que era duvidoso e incerto para alguns e promissor para os sonhadores e otimistas. Em 5 de novembro Cyro de Mello foi nomeado “colletor estadual”. Na 1ª legislatura a presidência ficou, por quatro dias, nas mãos de João Vicente de Azambuja. Em 10 de novembro de 1937 o então presidente Getúlio Vargas dissolveu Câmaras, Assembleias e partidos políticos, instituiu uma nova Constituição. Era o início do Estado Novo e o período de dormência da democracia que mal tinha começado a ser exercitada no âmbito local. (O monumento ao ex-presidente, erigido na avenida que dá o nome dele, esquina com a rua Joaquim Teixeira Alves, foi removido para o início da rodovia MS-156, que liga Dourados a Itaporã).