Zé Elias empossado prefeito pelo ex, Totô Câmara, em 1977 — Arquivo Douranews
Radicado desde 1958 em Dourados, ainda no então estado de Mato Grosso, o ex-prefeito José Elias Moreira foi chefe do escritório do antigo Inda (o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário), hoje Incra (o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) no Município, antes de estreiar na política como Delegado Regional da antiga Arena (a Aliança Renovadora Nacional), partido de sustentação ao regime militar instalado no país em abril de 1964.
Eleito prefeito de Dourados em novembro de 1976, com a extinção do bipartidarismo em 29 de novembro de 1979, José Elias filiou-se ao PDS (o Partido Democrático Social), agremiação que sucedeu a Arena. Em junho de 1981, disputou a indicação do partido com Levi Dias para a sucessão do governador Pedro Pedrossian, que o apoiou. Escolhido candidato do partido ao governo do estado nas eleições de novembro de 1982, acabou derrotado por Wilson Barbosa Martins, do então PMDB, o Partido do Movimento Democrático Brasileiro.
Nomeado secretário-geral da Confederação Nacional de Municípios em 1982, permaneceu na entidade até 1984. Em 1983, encerrou o mandato na prefeitura de Dourados, tornando-se presidente regional do PDS e delegado junto à convenção nacional do partido. Em 1986, deixou o PDS e filiou-se ao PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), passando a delegado junto à convenção nacional. Empresário, proprietário do Grupo Caiuás de comunicação e fazendeiro, ajudou a fundar a UDR (a União Democrática Ruralista), entidade defensora dos interesses dos grandse proprietários fundiários, na região da Grande Dourados.
Foi eleito deputado federal constituinte pelo Mato Grosso do Sul na legenda do PTB em novembro de 1986, recebendo o apoio ostensivo da UDR. Empossado em fevereiro do ano seguinte, quando tiveram início os trabalhos da Assembléia Nacional Constituinte, foi primeiro-vice-presidente da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação e membro da Subcomissão da Ciência e Tecnologia e da Comunicação, da Comissão da Família, da Educação, Cultura e Esportes, da Ciência e Tecnologia e da Comunicação.
Nas principais votações da Constituinte, pronunciou-se contra o rompimento de relações diplomáticas com países com política de discriminação racial, a pena de morte, o mandado de segurança coletivo, o aborto, o turno ininterrupto de seis horas, o aviso prévio proporcional, a soberania popular, o voto aos 16 anos, a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro, o limite de 12% ao ano para os juros reais, a limitação dos encargos da dívida externa, a criação de um fundo de apoio à reforma agrária, a legalização do jogo do bicho e a desapropriação da propriedade produtiva.
Votou a favor da limitação do direito de propriedade privada, da proteção ao emprego contra despedida sem justa causa, da jornada semanal de 40 horas, da pluralidade sindical, da unicidade sindical, do presidencialismo, da proibição do comércio de sangue, e da anistia ao micro e pequenos empresários. Também pronunciou-se favoravelmente ao mandato de cinco anos para o presidente José Sarney, que assumira o governo em 15 de março de 1985, por motivo de doença de Tancredo Neves, presidente eleito no Colégio Eleitoral.
Com a promulgação da nova carta constitucional em 5 de outubro de 1988, José Elias voltou a participar dos trabalhos legislativos ordinários da Câmara, integrando em 1989 a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática e, na condição de suplente, as comissões de Agricultura e Política Rural e de Minas e Energia. Reeleito deputado federal pelo Mato Grosso do Sul em outubro de 1990, assumiu em fevereiro do ano seguinte, tornando-se vice-líder do PTB na Câmara dos Deputados. Na sessão de 29 de setembro de 1992, votou a favor do impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha presidencial Paulo César Farias.
Nas principais matérias constitucionais apresentadas na Câmara dos Deputados ao longo da legislatura 1991-1995, José Elias votou a favor da criação do Fundo Social de Emergência (FSE), que permitia ao governo retirar recursos de áreas como saúde e educação para ter maior liberdade de administração das verbas; do fim do voto obrigatório e da criação do Imposto de 0,25% sobre transações bancárias – o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF). Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 1995, ao final da legislatura, sem ter concorrido à reeleição em outubro do ano anterior. Em outubro de 1998, disputou uma vaga para a Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, não obtendo sucesso.
Nos últimos tempos da carreira política chegou a secretário municipal de Planejamento na administração da prefeita Délia Razuk, quando se empenhou pessoalmente pela reforma do aeroporto municipal em Dourados, intermediando os entendimentos junto ao Ministério dos Transportes na época, a Anac (Associação Nacional de Aviação Civil) e reforçando mobilização iniciada quando liderou o movimento político regional na década de 70.
Notas de pesar
A diretoria da Aprefex-MS (Associação dos Prefeitos e Ex-prefeitos de Mato Grosso do Sul) divulgou nota de pesar em decorrência do falecimento do ex-prefeito de Dourados, ocorrido na madrugada desta quarta-feira (15), em São Paulo.
"A Aprefex-MS se solidariza com a família do ex-prefeito de Dourados e ex-deputado federal José Elias Moreira, pelo seu falecimento, ocorrido na manhã desta quarta-feira, dia 15 de Março", diz a mensagem publicada nas redes sociais da entidade, assinada pelo presidente da entidade, o atual secretário estadual de Governo, Pedro Caravina.
A Câmara de Vereadores de Dourados também divulgou nota em que lamenta o falecimento de Zé Elias, “homem do povo”, como definiu o presidente Laudir Munaretto. O ex-prefeito também integrou a Assembleia Nacional Constituinte e foi secretário estadual de Meio Ambiente e municipal de Planejamento.
“Por seu legado como pai de família e homem público, a Câmara Municipal de Dourados presta sinceros sentimentos aos familiares e amigos”, diz Laudir.
O prefeito Alan Guedes também se manifestou, logo pela manhã:
“É com profundo pesar que recebo a notícia do falecimento do ex-prefeito de Dourados, José Elias Moreira. Um homem que dedicou sua vida à construção de uma Dourados melhor para todos nós. Uma figura muito importante para a política do Estado, um grande prefeito e parlamentar. Que Deus conforte e ampare o coração dos familiares neste momento difícil. Será decretado luto oficial de três dias no município”