Lia continua queda-de-braço com ex-assessora — Divulgação
O promotor Ricardo Rottuno, da Promotoria dos Direitos da Cidadania, pode ter sido induzido ao erro ao denunciar a ex-vereadora e hoje deputada estadual Lia Nogueira, do PSDB, baseando-se apenas em denúncia feita com base em depoimentos da ex-assessora Patrícia Brandão e o esposo dela, Gilson Marcos Veron Brandão.
Essa é a manifestação da assessoria da parlamentar ao citar que, em uma das justificativas apresentadas para tornar Lia Nogueira acusada pelo crime de ameaça de morte contra a ex-assessora, Ricardo Rotunno teria se utilizado desse trecho da declaração da suposta vítima e do esposo dela, de que “perderam a paz” e foram levados até a “mudarem de endereço”, para dar prosseguimento a denúncia que isso foi indício suficiente para causar temor à vítima, como diz o promotor.
Novas provas juntadas na sexta-feira (28) ao processo, e registradas em Cartório por meio de Ata Notarial e de Escritura Pública Declaratória, dizem que a ex-assessora Patrícia Brandão mentiu ao prestar depoimento no 2º Distrito Policial de Dourados, ao mesmo tempo em que faltou com a verdade também junto ao MPE (Ministério Público Estadual) de Mato Grosso do Sul, pelo menos, quanto à motivação para troca de endereço residencial.
A ex-assessora de Lia Nogueira desocupou o imóvel em que morava há mais de um ano porque o dono da residência havia solicitado que Patrícia e sua família desocupassem, caindo por terra toda a “estória” criada pela ex-assessora e o esposo. A ex-assessora disse em depoimento que o motivo de mudança de endereço seria o fato dela se sentir ameaçada, por Lia Nogueira.
Apontada como testemunha chave, a irmã do dono do imóvel e responsável pela locação da casa, que não teve o nome divulgado, relatou em cartório que a mudança da família de Patrícia se deu “a pedido do proprietário pois esta (Patrícia) havia solicitado reparos na fiação elétrica do imóvel, porém o proprietário não tinha interesse em mexer no imóvel e passou a ter interesse em vender, não tendo mais possibilidade de manter o contrato de aluguel, sendo este motivo pelo qual Patrícia Brandão Machado mudou-se do imóvel”.
O relato da mulher pode ser comprovado por meio de áudios e mensagens de WhatsApp, trocados entre Patrícia Brandão e a irmã do dono do imóvel, a responsável por intermediar a locação e pelo recebimento mensal do aluguel.
BO na Polícia
O BO (Boletim de Ocorrência) do suposto crime de ameaça de morte que a então vereadora Lia Nogueira teria praticado contra a ex-assessora foi registrado no dia 2 de agosto de 2021 na 1ª Delegacia da Polícia Civil de Dourados por Patrícia Brandão, porém a ex-assessora e suposta vítima só se mudou do imóvel locado em março de 2022, pelo menos sete meses após Patrícia Brandão ter registrado o BO contra Lia Nogueira pela suposta ameaça e por esse motivo ter mudado de endereço. Em sua declaração na Polícia Civil e consequentemente nos autos do MPE, a ex-assessora mentiu novamente ao afirmar que se mudou do imóvel porque ela e os filhos se sentiam amedrontados, podendo ter induzido o promotor de Justiça, Ricardo Rotunno ao erro, conforme sustenta a assessoria da política douradense.
A defesa da hoje deputada estadual Lia Nogueira diz que, além dos depoimentos já colhidos em que todas as testemunhas declararam que a suposta ameaça no dia do aniversário de Lia (8 de julho de 2021), numa festa privada, foi em tom jocoso (de brincadeira), como era comum entre as duas, com essa nova prova não restam mais dúvidas de que nunca houve crime. Os advogados da deputada reuniram na sexta-feira mais documentos por meio de testemunha de que desde o início dos fatos alegados, a inocência de Lia Nogueira sempre esteve escancarada em todas as provas já juntadas naquele processo.
Por ausência de crime, por falta de provas materiais e por considerar que a ex-assessora agiu de má-fé ou até mesmo movida por interesses de terceiros, Lia diz que não espera outro posicionamento da Justiça que não seja o arquivamento do processo.