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MPE pede cassação do mandato da prefeita Adriane

Na disputa com Rose Modesto, voto chegou a valer R$ 100

01 de abril 2025 - 07h55 Por Redação Douranews
MPE pede cassação do mandato da prefeita Adriane Procurador eleitoral da Capital denuncia prefeita — Divulgação

O Ministério Público Eleitoral avalia que existem provas robustas da compra de votos nas eleições de 2024 e opinou pela procedência de ação para cassar a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), e a vice-prefeita, Camilla Nascimento de Oliveira (PP). Além de perder os mandatos, elas correm o risco de ficarem inelegíveis por oito anos, conforme parecer do procurador regional eleitoral, Luiz Gustavo Mantovani.

O parecer faz parte da investigação judicial eleitoral protocolada no ano passado pelo PDT e pelo Democracia Cristã. Eles também denunciaram a progressista por abuso de poder econômico de autoridade com viés religioso, abuso de poder político e abuso ao disseminar informações falsas contra a adversária, Rose Modesto (União Brasil).

Em primeira instância, apesar das provas juntadas aos autos, o pedido foi julgado improcedente pelo juiz Ariovaldo Nantes Corrêa, da 036ª Zona Eleitoral. O DC e o PDT recorreram ao Tribunal Regional Eleitoral. O relator é o juiz Alexandre Antunes da Silva. O parecer do procurador eleitoral foi anexado na última quarta-feira (26).

“Trata-se aqui de evidente reprovabilidade ética das condutas, da mais alta perniciosidade e de efeitos deletérios para o tecido social da política e da sociedade brasileira quanto à repulsiva mácula da corrupção, bem como da necessidade de eventual responsabilização individual de cada indivíduo aqui citado nas diversas esferas independentes, com gravidade de, por si só, macular a legitimidade e normalidade da disputa eleitoral e desfigurar a igualdade da competição”, pontuou Mantovani, sobre a compra de votos por parte da equipe de Adriane.

Veja o despacho:

Voto custou R$ 100

Conforme a denúncia, como repercute o blog OJacaré, houve provas com pagamento por meio de Pix e gravação de vídeos sobre a compra de votos por assessores de Adriane. No bairro Aero Rancho, cerca de 200 veículos foram reunidos em um campo de futebol, onde o coordenador da campanha teria repassado R$ 100 para cada veículo adesivado com a campanha pela reeleição da atual prefeita.

Em outro caso, houve reunião no Parque dos Laranjais, onde os participantes receberam R$ 100 cada para votar na progressista. Sebastião Martins Vieira testemunhou que recebeu R$ 400 pelo trabalho e R$ 2 mil para a compra de votos do assessor da prefeita identificado como Darci [Caldo], o mesmo que foi secretário de Governo do ex-prefeito Ari Artuzi, em Dourados. O valor foi distribuído entre os moradores do bairro Caiobá. Houve comprovante do pagamento via Pix por assessores nomeados no gabinete de Adriane, que depois foram distribuídos entre os eleitores que se dispusessem a votar na prefeita.

“No caso sob análise, há elementos que convergem para a comprovação da existência de captação ilícita de sufrágio – a odiosa ‘compra de votos’ – em favor da campanha de ADRIANE LOPES, com a sua participação indireta e anuência”, destacou o procurador regional eleitoral.