Gleice Jane participou do ato de assinatura de protocolo — Divulgação
Gleice Jane participa de assinatura do protocolo “Todos por Elas” para levar combate ao feminicídio e racismo às escolas de MS
Deputada representou a Assembleia Legislativa em ação que reforça seu compromisso em defesa da vida das mulheres e da educação como meio de prevenção à violência
A deputada estadual Gleice Jane participou da assinatura oficial do protocolo “Todos por Elas” na Educação, na manhã desta quarta-feira (17), destacando a importância do documento para instituir uma política pública para transformar o ambiente escolar em um espaço de prevenção primária contra o feminicídio e a violência doméstica.
A professora, que representou a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) no ato, considera que integrar perspectivas étnico-raciais e de gênero no currículo escolar é a maneira mais eficaz de prevenção à violência.
O protocolo é fruto de articulação do Tribunal de Contas, Ministério Público e dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de Mato Grosso do Sul, e prevê uma série de medidas. Entre elas, a implementação de política pública permanente de educação em direitos humanos, com perspectiva étnico-racial e de gênero; formação continuada e desenvolvimento de materiais didáticos inclusivos para toda a comunidade escolar; fortalecimento da rede de proteção e protocolos de atendimento para identificar e prevenir casos de racismo e violência no ambiente escolar.
O texto também institui o Comitê Gestor Interinstitucional que terá como função apresentar um Plano de Ação, além de monitorar, avaliar e garantir a implementação e desenvolvimento do Protocolo.
Atuação em defesa das mulheres
A 14 dias do fim de 2025, Mato Grosso do Sul possui, desde novembro, mais vítimas de feminicídio em relação a 2024. Ângela Nayhara Guimarães Gugel, de 53 anos, foi a 39ª mulher a entrar para as estatísticas no Estado em 2025, cruelmente assassinada por Leonir Gugel, seu companheiro há 30 anos. A motivação do crime teria sido o pedido de separação feito por Ângela, no dia anterior.
Gleice Jane tem criticado a política do governador do Estado, Eduardo Corrêa Riedel (PP), e do secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, para a defesa da vida das mulheres. Durante as sessões plenárias, a deputada tem utilizado a tribuna para cobrar ações do Executivo, lamentar as seguidas mortes de mulheres e propor projetos de Lei para conter o avanço da onda de feminicídio. Somente em 2025, foram quatro proposições com este objetivo:
PL 27/2025: Institui o Protocolo para Enfrentamento, Repressão e Erradicação do Feminicídio no Estado de Mato Grosso do Sul e dá outras providências;
PL 323/2025: Institui o “Protocolo Círculo do Cuidado” de enfrentamento à violência doméstica e de acolhimento às mulheres em situação de violência;
PL 102/2025: Institui o Observatório da Violência Política Digital contra Mulheres por Razões de Gênero ou Raça, no âmbito do Estado de Mato Grosso do Sul;
PL 50/2025: Institui a Política Pública de Educação Continuada em Prevenção à Violência de Gênero no Âmbito do Estado de Mato Grosso do Sul.
Memorial às 39 vítimas de feminicídio em MS em 2025
Karina Corim (29 anos) e Aline Rodrigues* (32 anos) - Caarapó - 1º de fevereiro
Vanessa Ricarte (42 anos) - Campo Grande - 12 de fevereiro
Juliana Domingues (28 anos) - Dourados - 18 de fevereiro
Mirieli Santos (26 anos) - Água Clara - 22 de fevereiro
Emiliana Mendes (65 anos) - Jutí - 24 de fevereiro
Gisele Cristina Oliskowski (40 anos) - Campo Grande - 1º de março
Alessandra da Silva Arruda (30 anos) - Nioaque - 29 de março
Ivone Barbosa da Costa Nantes (41 anos) - Sidrolândia - 17 de abril
Thácia Paula Ramos de Souza (39 anos) - Cassilândia - 14 de maio
Simone da Silva (35 anos) - Itaquiraí - 14 de maio
Olizandra Vera Cano (26 anos) - Coronel Sapucaia - 22 de maio
Graciane de Sousa Silva (40 anos) - Nova Andradina - 25 de maio
Vanessa Eugênia Medeiros (23 anos) - Campo Grande - 26 de maio
Sophie Eugênia Borges (10 meses de vida) - Campo Grande - 26 de maio
Eliana Guanes (59 anos) - Corumbá - 6 de junho
Doralice da Silva (42 anos) - Maracaju - 20 de junho
Rose Antonia de Paula (41 anos) - Costa Rica - 28 de junho
Michelly Rios Midon Oruê (47 anos) - Glória de Dourados - 3 de julho
Juliete Vieira (35 anos) - Naviraí - 25 de julho
Cinira de Brito (44 anos) - Aquidauana - 31 de julho
Salvadora Pereira (22 anos) - Corumbá - 2 de agosto
Dahiana Ferreira Bobadilla (24 anos) - morta no Paraguai, encontrada em Bela Vista - Agosto
Érica Regina Moreira Mota (46 anos) - Bataguassu - 27 de agosto
Dayane Garcia (27 anos) - Nova Alvorada do Sul - Setembro (morreu após 77 dias de internação)
Iracema Rosa da Silva (75 anos) - Dois Irmãos do Buriti - 8 de setembro
Ana Taniely Gonzaga de Lima (24 anos) - Bela Vista - 13 de setembro
Gisele da Silva Cylis Saochine (40 anos) - Campo Grande - 2 de outubro
Erivete Barbosa Lima de Souza (48 anos) - Paranaíba - 10 de outubro
Andreia Ferreira (40 anos) - Bandeirantes - 12 de outubro
Solene Aparecida Ferreira Corrêa (46 anos) - Três Lagoas - 21 de outubro
Luana Cristina Ferreira Alves (32 anos) - Campo Grande - 28 de outubro
Aline Leite da Silva (28 anos) - Jardim - 4 de novembro
Maria Aparecida Nascimento Gonçalves (43 anos) - Aparecida do Taboado - 4 de novembro
Rosimeire Vieira de Oliveira (37 anos) - Rochedo - 10 de novembro
Irailde Vieira Flores de Oliveira (83 anos) - Rochedo - 10 de novembro
Gabrielli Oliveira dos Santos (25 anos) - Sonora - 18 de novembro
Alliene Nunes Barbosa (50 anos) - Dourados - 23 de novembro
Ângela Nayhara Guimarães Gugel (53 anos) - Campo Grande - 8 de dezembro
*Aline Rodrigues foi morta junto de sua amiga, Karina Corim, mas não entrou para as estatísticas oficiais de feminicídio.
O que é
O Feminicídio é considerado como o crime de homicídio cometido “contra a mulher por razões da condição de sexo feminino”, quando ocorre em contexto de “I - violência doméstica e familiar; II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. Na prática, como visto em 37 dos 39 casos em Mato Grosso do Sul, a esmagadora maioria dos casos é cometida por homens, geralmente companheiros, ex-companheiros ou familiares.
Violência contra mulher é crime e pode ser denunciada de forma segura e sigilosa. Em casos de emergência, ligue imediatamente para 190. Para denúncias e orientações, o número 180 fica disponível 24 horas por dia. Também é possível denunciar via WhatsApp pelo número (67) 99180-0542.