Santiago Pena envolvido em escândalo como presidente do Paraguai — Reprodução
Os deputados acusam Peña de conflito de interesses por sua participação acionária na Ueno Holding, controladora do banco, e pela nomeação de Carlos Carvallo, ex-presidente da Financiera Ueno, para comandar o Banco Central paraguaio. Os parlamentares também questionam alterações na legislação sobre conflitos de interesses promovidas pelo presidente.
Segundo os autores do pedido, Peña permitiu o depósito de centenas de bilhões de guaranis do Instituto de Previdência Social (IPS) no Ueno Bank, acima dos limites previstos na legislação paraguaia.
O Partido Colorado, legenda de Peña, apoiou o impeachment do presidente, mas se opôs ao afastamento do vice-presidente Pedro Alliana. Em votação separada, a Câmara rejeitou a acusação contra Alliana por 48 votos contrários e 30 favoráveis, determinando o arquivamento do pedido.
Com a aprovação, o processo contra Peña segue ao Senado, responsável pelo julgamento. A Câmara designou oito deputados para sustentar a acusação perante os senadores. Pela Constituição paraguaia, a destituição exige o apoio de dois terços do Senado.
Renúncia de Santiago Peña
Santiago Peña anunciou o pedido de renúncia do cargo durante a sessão que examinava o pedido de impeachment. Em pronunciamento divulgado nas redes sociais, o presidente justificou sua saída pela necessidade de preservar a estabilidade política, a paz social e as instituições democráticas do Paraguai.
Peña também pediu desculpas à população e manifestou preocupação com os clientes prejudicados pela crise bancária. O presidente cobrou o funcionamento do Fundo de Garantia de Depósitos para assegurar o ressarcimento dos recursos e a proteção do dinheiro público.
A renúncia ainda depende de aceitação do Congresso Nacional. Com sua formalização, o vice-presidente Pedro Alliana, também do Partido Colorado, deverá assumir o governo para concluir o mandato presidencial, previsto até agosto de 2028.