Ao ser atendida pelo primeiro funcionário, ainda na recepção, a paciente que não vamos citar o nome, deu entrada e foi encaminhada para o setor de Raio-X, pois estava com dor no pé e inchaço fora do normal.
Após tirar o Raio-X exigido, o médico determinou que a paciente voltasse com o resultado da radiografia do pé e fosse atendida pelo ortopedista de plantão, neste domingo, 6 de fevereiro. Ao perguntar para a atendente da ortopedia como era o nome do médico que estaria de plantão, a funcionária da Santa Casa respondeu: Antonio Maria.
Após tirar o Raio-X, a paciente sentou no banco na porta da ortopedia por volta das 12h05 e quando já era 14h40, o jornalista foi novamente conversar com a atendente da Santa Casa e começou um diálogo:
Reportagem – minha senhora, você não tem como procurar saber se o médico ortopedista pode atender essas pessoas que amargam de dor aqui na sala de espera nesse banco duro e prejudicial a coluna dos idosos que estão aqui?
Funcionária da Santa Casa – infelizmente não. Não sei onde encontrar o médico que está de plantão, o doutor Antonio Maria, pois ele é o único plantonista hoje para atender toda a Santa Casa.
Reportagem – Mas senhora, tem pessoas que estão aqui antes mesmo da 11 horas da manhã. Veja com o administrativo para localizar esse médico e solicitar a presença dele por aqui.
Funcionária da Santa Casa – Já disse para o senhor que não posso, pois como ele é o único ortopedista que está de plantão aqui na Santa Casa, ele pode estar na pediatria, na emergência, nos quartos, em qualquer andar que seja. E ainda mais que ele pode estar almoçando, pois ele tem duas horas de almoço.
Reportagem – Nossa, mas como se ele é o único plantonista e ainda vai tirar duas horas de almoço. Somos da imprensa e vamos relatar isso.
Funcionária da Santa Casa – Pois bem, quando o médico chegar, pergunte a ele como se submete a trabalhar sozinho num local imenso como esse, sendo o único plantonista de pediatria que atende hoje, domingo.
O diálogo, segundo o site, foi interrompido com a chegada de dois médicos residentes que utilizavam o uniforme do CEMED, de uma universidade de Campo Grande. Os dois “quase profissionais” deixaram um jovem acidentado e sua mãe para dar entrada no Raio-X e quando a mãe do jovem procurou o guichê do atendimento local para saber como tirar a radiografia, foi surpreendida: “a senhora não deve tirar o Raio-X aqui, e sim no final do corredor”.
A mãe, indignada ao ver seu filho doente e mal conseguindo ficar em pé desabafou: “Impressionante, pois como uma pessoa que trabalha aqui nos deixa no local errado”, disse.
Por força máxima e muita coincidência, depois que a reportagem conversou com a atendente e se apresentou como sendo da imprensa, o ortopedista Antonio Maria compareceu ao local e iniciou a prestação do atendimento as pessoas que amargavam a dor nos bancos da sala, onde na parede estava uma placa com o aviso: Favor não deixar nos bancos”. Ora, como um paciente vai ficar cerca de três ou quatro horas sentado com dor esperando o atendimento médico.
O caso mostra a vergonha de atendimento que a Santa Casa de Campo Grande oferece aos seus doentes. É lamentável ver que profissionais, diretores e certos funcionários tenham luxo total enquanto o pobre que precisa do atendimento médico precisa se humilhar para ser atendido quase quatro horas depois.
Antes de ir embora uma funcionária disse: A Santa Casa não tem dinheiro para contratar mais médicos, mas tem dinheiro para certas regalias aqui.