As doenças da tireóide têm se tornado mais incidente nos últimos dez anos. Elas passaram de 3,9 para 14 casos por 100 mil habitantes. E são muito mais freqüentes em mulheres – 90% dos casos. O problema costuma se manifestar após os 40 anos e no período pós-parto.
O tratamento contra doenças da tireóide requer uma série de cuidados que podem passar despercebidos, especialmente depois que o momento da crise foi superado e os sintomas, controlados.
A maioria das disfunções da tireóide é crônica, ou seja, não tem cura, apenas controle. No caso do hipotireoidismo, quando a glândula funciona mais lentamente do que deveria, o paciente deve ingerir hormônios artificiais diariamente para suprir a deficiência da tireóide.
A quantidade de hormônio prescrito pelo médico leva em consideração o peso do paciente. “variações a partir de 5% do peso corporal total podem interferir na eficácia do tratamento”, alerta a endocrinologista Ruth Clapauch, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
Nos meses iniciais do tratamento, quando os sintomas estão sendo controlados aos poucos, é comum haver um acompanhamento bimestral do paciente, com exames de sangue a cada 45 ou 60 dias. Neste período, o controle médico é maior e assim as variações de peso e seu respectivo impacto no tratamento são mais fáceis de detectar.
Contudo, o acompanhamento médico costuma se tornar mais espaçado, com exames de controle a cada seis meses depois que os sintomas da doença são eliminados e um ritmo saudável ao organismo é estabelecido. Se o paciente engordar muito, o remédio perde efeito e os sintomas podem voltar.
Quanto mais a paciente ganhar peso, menos a medicação vai fazer efeito e maior será a propensão de ganhar ainda mais peso. Isso porque um dos sintomas do hipotireoidismo é justamente o ganho de peso.
Como a glândula trabalha mais lentamente, todo o metabolismo se torna mais lento e isso influencia nos processos de queima e armazenamento de gorduras. A pessoa estará sujeita também a problemas como infertilidade, menstruação irregular, sensação de frio excessivo, inchaço nas pernas e ao redor dos olhos, pele ressecada e cansaço excessivo.
Forma-se um contexto favorável para a pessoa se tornar menos ativa, o que representa mais um fator para agravar o ganho de peso.
Interação
Embora o hormônio artificial seja uma réplica do natural, ele é também uma medicação. E todo medicamento está sujeito a alguma interação com outras substâncias metabolizadas pelo organismo.
O principal risco de interação está nos anticoncepcionais via oral. “Eles aumentam uma proteína que liga os hormônios da tireóide no sangue. Com eles menos livres, passam a agir menos e a doença pode voltar”, explica a médica.
Por isso, a médica recomenda sempre alertar o ginecologista de qualquer problema de tireóide antes dele prescrever algum contraceptivo oral. Além disso, a endocrinologista recomenda ainda fazer uma avaliação, com exame de sangue, cerca de 30 a 45 dias após o uso do novo medicamento para verificar qualquer influência dele na glândula.
Outra possibilidade importante de interação é com a soja. Se a pessoa passar por alguma mudança mais significativa na alimentação e incluir mais alimentos a base de soja, pode influenciar os hormônios artificiais.
“Se for descoberta uma alergia ao leite, por exemplo, e a pessoa passar a tomar leite de soja diariamente, isso pode gerar a necessidade de ajustes na medicação”, exemplifica a médica.