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Variação de peso prejudica tratamento para tireóide

19 de fevereiro 2011 - 12h30 Por Redação Douranews, com Exame
Variação de peso prejudica tratamento para tireóide

As doenças da tireóide têm se tornado mais incidente nos últimos dez anos. Elas passaram de 3,9 para 14 casos por 100 mil habitantes. E são muito mais freqüentes em mulheres – 90% dos casos. O problema costuma se manifestar após os 40 anos e no período pós-parto.

O tratamento contra doenças da tireóide requer uma série de cuidados que podem passar despercebidos, especialmente depois que o momento da crise foi superado e os sintomas, controlados.

A maioria das disfunções da tireóide é crônica, ou seja, não tem cura, apenas controle. No caso do hipotireoidismo, quando a glândula funciona mais lentamente do que deveria, o paciente deve ingerir hormônios artificiais diariamente para suprir a deficiência da tireóide.

A quantidade de hormônio prescrito pelo médico leva em consideração o peso do paciente. “variações a partir de 5% do peso corporal total podem interferir na eficácia do tratamento”, alerta a endocrinologista Ruth Clapauch, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).

Nos meses iniciais do tratamento, quando os sintomas estão sendo controlados aos poucos, é comum haver um acompanhamento bimestral do paciente, com exames de sangue a cada 45 ou 60 dias. Neste período, o controle médico é maior e assim as variações de peso e seu respectivo impacto no tratamento são mais fáceis de detectar.

Contudo, o acompanhamento médico costuma se tornar mais espaçado, com exames de controle a cada seis meses depois que os sintomas da doença são eliminados e um ritmo saudável ao organismo é estabelecido. Se o paciente engordar muito, o remédio perde efeito e os sintomas podem voltar.

Quanto mais a paciente ganhar peso, menos a medicação vai fazer efeito e maior será a propensão de ganhar ainda mais peso. Isso porque um dos sintomas do hipotireoidismo é justamente o ganho de peso.

Como a glândula trabalha mais lentamente, todo o metabolismo se torna mais lento e isso influencia nos processos de queima e armazenamento de gorduras. A pessoa estará sujeita também a problemas como infertilidade, menstruação irregular, sensação de frio excessivo, inchaço nas pernas e ao redor dos olhos, pele ressecada e cansaço excessivo.

Forma-se um contexto favorável para a pessoa se tornar menos ativa, o que representa mais um fator para agravar o ganho de peso.

Interação

Embora o hormônio artificial seja uma réplica do natural, ele é também uma medicação. E todo medicamento está sujeito a alguma interação com outras substâncias metabolizadas pelo organismo.

O principal risco de interação está nos anticoncepcionais via oral. “Eles aumentam uma proteína que liga os hormônios da tireóide no sangue. Com eles menos livres, passam a agir menos e a doença pode voltar”, explica a médica.

Por isso, a médica recomenda sempre alertar o ginecologista de qualquer problema de tireóide antes dele prescrever algum contraceptivo oral. Além disso, a endocrinologista recomenda ainda fazer uma avaliação, com exame de sangue, cerca de 30 a 45 dias após o uso do novo medicamento para verificar qualquer influência dele na glândula.

Outra possibilidade importante de interação é com a soja. Se a pessoa passar por alguma mudança mais significativa na alimentação e incluir mais alimentos a base de soja, pode influenciar os hormônios artificiais.

“Se for descoberta uma alergia ao leite, por exemplo, e a pessoa passar a tomar leite de soja diariamente, isso pode gerar a necessidade de ajustes na medicação”, exemplifica a médica.