Uma pesquisa realizada por dois centros universitários de Nova Orleans, nos Estados Unidos, conseguiu identificar uma proteína que permite à célula cancerígena criar resistências contra a quimioterapia e a radioterapia. A descoberta, que será publicada na próxima edição do periódico científico Science Signaling, pode ser um novo passo no desenvolvimento de procedimentos que aumentem a eficácia do tratamento contra o câncer.
Os pesquisadores americanos descobriram que um dos mecanismos de resistência das células cancerígenas envolve uma alteração na oncoproteína c-MYC que reduz a produção de uma outra proteína específica, chamada BIN1. Esta, por sua vez, é a responsável por evitar a reparação genética da célula cancerígena após a ação das terapias à base de remédios.
Ao suprimir a produção da BIN1, a c-MYC deixa o corpo imune à droga usada na quimioterapia, uma vez que a célula doente acaba se regenerando sozinha. "No tratamento contra o câncer, o quimioterápico tem como objetivo justamente danificar o DNA da célula cancerígena. Se a proteína que evita que esse dano seja reparado não está presente no organismo, a droga deixa de ser eficaz", disse em entrevista ao site de VEJA o oncologista Artur Katz, coordenador do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês. "A resistência à medicação é o que faz com que grande parte dos tumores metastáticos sejam incuráveis. Quanto mais soubermos como ela funciona, mais caminhos para tentar burlar esse mecanismo e para criar novas drogas teremos", diz.
De acordo com Daitoku Sakamuro, patologista responsável pelo estudo, a análise dos níveis da proteína pode servir até mesmo para descobrir se o tratamento será eficaz antes de ele ser posto em prática. "Inibir a oncoproteína c-MYC, responsável por reduzir a produção da BIN1, pode ser uma boa estratégia para a terapia contra o câncer", diz.
No Brasil, estimativas do Instituto Nacional do Câncer apontam para a ocorrência de 489.270 novos casos de câncer apenas em 2010. Os tipos mais incidentes, à exceção do câncer de pele do tipo não melanoma, são os tumores de próstata e de pulmão, entre os homens, e de mama e do colo do útero, entre mulheres.