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A Síndrome da mulher Moderna

14 de abril 2011 - 19h21 Por Redação Douranews, com Exame
A Síndrome da mulher Moderna

Conhecida como "Doença da Mulher Moderna", a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é um dos distúrbios mais freqüentes em mulheres em idade reprodutiva. Aproximadamente 4 a 7% das brasileiras nesta faixa, que se estende do início da menstruação à menopausa, apresentam o problema, que é uma das maiores causas de infertilidade.

Cerca de 15% dos casos de esterilidade causada por alterações nos ovários decorrem da formação de cistos na superfície do órgão. Essa condição afeta a produção hormonal e provoca aumento dos hormônios masculinos, os androgênios.

Estas alterações decorrem de duas causas distintas: ou porque os ovários respondem de maneira anormal aos estímulos dos hormônios do cérebro; ou porque os estímulos do cérebro são irregulares. Como conseqüência, a mulher deixa de ovular todos os meses e passa a apresentar diversas manifestações que se expressam em seu corpo:

- Esterilidade - com a formação de cistos, a mulher deixa de ovular e perde a capacidade reprodutiva.

- Alterações menstruais - o quadro mais comum é a ausência de menstruação por longos períodos, seguida tanto de menstruações de quantidade e duração normais como de hemorragias.

- Hirsutismo - o aumento da produção de hormônios masculinos estimula o aparecimento de pelos em áreas como face, tórax, abdome, nádegas e face interna das coxas.

- Acne - os hormônios masculinos aumentados fazem com que a pele fique oleosa e estimulam o aparecimento de espinhas e pústulas que se rompem e formam cicatrizes.

- Obesidade - os androgênios provocam também acúmulo de gordura no abdome.

Se não for tratada, a síndrome pode provocar, além destas manifestações clínicas, conseqüências graves, como resistência a insulina e diabetes, e alterações nas gorduras sanguíneas (colesterol), com aumento do risco cardiovascular.

A boa notícia é que a maioria dos casos de SOP é reversível. Muitas mulheres engravidam espontaneamente e, mesmo aquelas que não conseguem uma gestação espontânea, podem engravidar após tratamento com medicamentos específicos.

O diagnóstico da síndrome é clinico e confirmado a partir da ausência de ovulação e sinais de aumento de hormônios masculinos. Contudo, a comprovação do diagnóstico é feita com exame de ultrassonografia e dosagem hormonal.

Uma vez confirmado o diagnóstico, a paciente necessita de medidas gerais, como dieta pobre em gorduras e açúcares, exercícios físicos e apoio psicoterápico, pois todas estas alterações clínicas interferem com a autoestima e a autoimagem corporal.

Outra medida importante para reverter este quadro é o tratamento hormonal, principalmente com pílulas anticoncepcionais que apresentam em sua composição antiandrogênios. Com o tempo, elas regularizam a menstruação, reduzem os pelos e fazem com que a acne desapareça. São utilizados também antiandrogênios isolados e medicamentos que ajudam a paciente a emagrecer e controlam a resistência à insulina.

Normalizada a parte endócrina, o tratamento pode ser suspenso, possibilitando que a paciente engravide espontaneamente ou com indução da ovulação.