Os participantes da audiência pública com o tema “Renais crônicos: direito à vida”, realizada ontem (5) à noite na Câmara de Vereadores de Dourados, por iniciativa dos vereadores Walter Hora (PPS) e Délia Razuk (PMDB), em parceria com o deputado federal Geraldo Resende (PMDB), aprovaram, após mais de duas horas de debates, a Carta de Dourados, com as principais proposições sobre o assunto.
Entre as sugestões apontadas, destaca-se a necessidade de implantação de um novo serviço de Terapia Renal Substitutiva (Hemodiálise) no Hospital Universitário de Dourados (HU), para fazer frente à demanda crescente do serviço, com pacientes oriundos de toda a região, tendo em vista que o município de Dourados é referência para 35 municípios.
Também foi proposta a realização de estudos sobre a possibilidade de implantação deste serviço em outros municípios-sede de micro-regiões em Mato Grosso do Sul, como Nova Andradina e Naviraí entre outros. Aliás, essas duas cidades mandaram um grande número de participantes na audiência.
Confira a íntegra da Carta de Dourados:
“Reunidos na Câmara de Vereadores de Dourados na noite de 5 de maio de 2011, e após as discussões e debates, os participantes resolveram elaborar a presente CARTA DE DOURADOS, com o seguinte teor:
CONSIDERANDO que a segunda maior cidade do Estado hoje apresenta uma demanda crescente em vagas no serviço de terapia renal substitutiva, o que tem ocasionado o envio de alguns pacientes para Ponta Porã;
CONSIDERANDO que a região da Grande Dourados possui uma população de mais de 500 mil habitantes, e que de acordo com as normativas do Ministério da Saúde, a cada 200 mil habitantes, deve ser implantado um serviço de terapia renal substitutiva;
CONSIDERANDO a suspenção do serviço de transplante de rins e outros órgãos em Mato Grosso do Sul, o que tem levado ao envio de órgãos doados para outros Estados brasileiros;
Desta forma, se propõe:
1) A implantação de um novo serviço de Terapia Renal Substitutiva (Hemodiálise) no Hospital Universitário de Dourados (HU), para fazer frente à demanda crescente do serviço, oriunda de toda a região, tendo em vista que o município de Dourados é referência para 35 municípios.2) Conclamar a BANCADA FEDERAL de Mato Grosso do Sul para lutar pela viabilização de recursos, em parceria com o governo do Estado, visando à implantação do serviço de hemodiálise no HU de Dourados;
3) A realização de estudos sobre a possibilidade de implantação deste serviço em outros municípios-sede de micro-regiões em Mato Grosso do Sul, como Nova Andradina e outros;
4) Paliativamente, enquanto não for criado o novo serviço em Dourados, o aumento do número de máquinas disponíveis para evitar a necessidade de envio de pacientes douradenses para outras cidades;
5) A conjugação de esforços para a retomada da realização dos transplantes em Mato Grosso do Sul, com prioridade para os transplantes de rins;
Dourados, 5 de maio de 2011
ADENDO
Após a leitura da “Carta de Dourados”, a Mesa dos Trabalhos aprovou o pedido do plenário, de acrescentar os seguintes itens:
A) No trecho onde se diz que “a cada 200 mil habitantes, deve ser implantado um serviço de terapia renal substitutiva”, que se corrija para: “o número mínimo exigido pelo Ministério da Saúde para a implantação do serviço de terapia renal substitutiva é de 200 mil habitantes”.
B) Que se estabeleçam prazos para a consecução dos objetivos propostos nesta Carta. No caso da retomada dos transplantes renais na Santa Casa de Campo Grande, que seja de 8 (oito) meses; quanto à implantação do novo serviço de hemodiálise no HU de Dourados, que seja de no máximo um ano e seis meses (18 meses);
C) No item 3, que se acrescente a lutar pela viabilização do serviço de hemodiálise também em Naviraí".