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Dourados pode estar com surto de conjuntivite

27 de maio 2011 - 19h13 Por Redação Douranews, com Renan Bonzanini
Dourados pode estar com surto de conjuntivite
Dourados vive um período de suspeita quanto a um surto de conjuntivite. Somente nos cinco primeiros meses do ano já foram registrados pela Secretaria de Saúde 55 casos da doença, enquanto que na mesma época do ano passado tinham sido registrados 25 casos, totalizando 120 infectados durante todo o ano de 2010.

Os postos de saúde e hospitais da rede pública do Município estão registrando um movimento acima do normal. De acordo com levantamento feito pelo Douranews junto à Secretaria de Saúde, em um único mês [agosto de 2010] foram registrados 29 casos da doença e neste ano, no mês de abril, foram computadas 28 pessoas que receberam atendimento médico para conjuntivite.

A médica oftalmologista Renata Cesário Chaves explica que a conjuntivite é uma inflamação da conjuntiva, a membrana que reveste o "branco" do olho, e pode afetar a córnea e as pálpebras. A doença se manifesta em três tipos: infecciosa, alérgica ou tóxica, predominando no caso de Dourados a primeira alternativa.

A conjuntivite infecciosa é transmitida por vírus (mais freqüente) ou bactérias e pode ser contagiosa. Nestes casos, a contaminação se dá pelo ar, especialmente em ambientes fechados, pelo uso de objetos contaminados, contato direto com pessoas contaminadas e até mesmo pela água da piscina. Existem diferenças entre os vírus, sendo que alguns se mostram mais agressivos e provocam grande desconforto ao paciente.

Segundo a médica, depois de instalado em um olho, o vírus demora cerca de 48 horas para passar para o outro. Depois, o doente ainda transmite o vírus pelos próximos dez dias.

A conjuntivite pode apresentar-se na forma aguda ou crônica e os sintomas mais comuns são o olho vermelho, coceira, lacrimejamento, sensibilidade à luz e secreção branca ou amarelada. Também pode ocorrer febre, dor de garganta e dores pelo corpo e, normalmente, a pessoa acorda com os olhos grudados devido à secreção. Este tipo de conjuntivite requer alguns cuidados especiais para evitar a transmissão

Conjuntivite alérgica

Geralmente ocorre nos dois olhos e em pessoas predispostas à alergia (que já têm rinite, bronquite e/ou outras atopias). Não é contagiosa, ou seja, não passa de uma pessoa para outra e nem de um olho para o outro, mesmo que em alguns casos se apresente antes em um olho e depois no outro. Entre as conjuntivites alérgicas os sintomas são a coceira nos olhos e/ou pálpebras, olhos vermelhos, e secreção (geralmente pegajosa e clara). Pode haver períodos de melhora e reincidência. Nestes casos, é importante que a causa da conjuntivite seja encontrada, pois esta pode variar de pessoa para pessoa.

Conjuntivite tóxica

Este tipo de conjuntivite é causado pelo contato direto com o agente tóxico. Muitas vezes este agente pode ser medicamentoso, como o colírio, por exemplo. Em alguns casos, este tipo de conjuntivite ocorre em recém-nascidos devido ao uso obrigatório do colírio (Nitrato de prata 1%) no momento do nascimento. O sintoma é ter um ou ambos os olhos vermelhos e irritados.
Entre as substâncias mais comuns que causam a conjuntivite tóxica, predominam alguns produtos de limpeza, fumaça de cigarro e poluentes industriais. A pessoa nessa condição deve se afastar do agente causador e lavar os olhos com água abundante. Se a causa for medicamentosa, deve-se suspender o uso, sempre mediante orientação médica.

Contágio

A contaminação acontece por contato das mãos, compartilhamento de toalhas, talheres, sabonete, teclado de computador, telefone, maçaneta, etc. Também é possível transmitir por meio de gotículas de saliva.

O vírus sobrevive por várias horas na superfície. Por isso, espaços públicos, como metrô, ônibus e escadas rolantes, são potenciais locais de transmissão. "Imagine a pessoa que segura no corrimão da escada rolante e leva a mão ao olho. Se o corrimão estiver contaminado, certamente ela vai se infectar", diz Renata Chaves.

Prevenção

Para se prevenir contra a conjuntivite, recomenda-se lavar as mãos com freqüência, usar álcool em gel e separar os objetos se tiver mantido contato direto com uma pessoa contaminada. A doença não tem um tratamento especifico e não há remédio para ela. A única alternativa é reduzir o desconforto, com compressas de água fria para diminuir o inchaço e o edema.

É muito freqüente as pessoas usarem colírios para conjuntivite, às vezes medicamentos fortes, sem necessidade, inclusive alguns antibióticos passados por médicos generalistas ou pediatras. Esses remédios, além de desnecessários, podem trazer efeitos colaterais. A suspeita de conjuntivite implica em procurar um oftalmologista.