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Falta de médicos legistas afeta famílias de Nova Andradina

17 de junho 2011 - 19h26 Por Carlos Marinho
Falta de médicos legistas afeta famílias de Nova Andradina
Oito municípios e um distrito ficaram sem atendimento por falta de profissionais; há quase um ano o último legista lotado na URPI-NA se aposentou e Governo do Estado não enviou ninguém para preencher a vaga

Em conversa com o Douranews, uma fonte que trabalha no setor da Segurança Pública estadual, e que terá sua identidade preservada, denunciou a falta de médicos legistas para atuar na Regional de Nova Andradina e em Fátima do Sul. Segundo ele, há quase um ano as delegacias que compõem aquela regional não têm como realizar o trabalho necessário, principalmente em caso de óbitos, por exclusiva falta de pessoal. “Não sabemos como fazer, porque faltam profissionais legistas e não temos qualquer perspectiva de solução para esse problema”, lamenta o servidor público, acrescentando que “é necessário e urgente que o Governo do Estado encontre uma alternativa até que abra concurso público para contratar novos profissionais”, apontou.

Além do trabalho mais conhecido da população, que é realizar exames necroscópicos, os legistas são responsáveis também por outras ações, como exames de corpo de delito e testes de embriaguez, entre outros.

Outras fontes confirmaram ao Douranews que “Nova Andradina está sem médico legista desde julho de 2010, quando o então profissional se aposentou”

A Unidade Regional de Perícia e Identificação (URPI) de Nova Andradina, além de não ter estrutura para um funcionamento correto, já que faltam equipamentos, material e veículos, é responsável por atender oito municípios [Nova Andradina, Anaurilândia, Angélica, Bataguassu, Batayporã, Ivinhema, , Novo Horizonte do Sul e Taquarussu] além do distrito de Ipezal.

Hoje não há qualquer previsão para que seja contratado um novo legista. “Mesmo se abrissem um concurso hoje, este profissional levaria dois anos para chegar até a regional”, afirma a fonte, lamentando pelo constrangimento que passam as famílias, quando é necessário esse atendimento. “É muito ruim para os familiares que por vezes têm que esperar até dois dias pela liberação do corpo que, normalmente, é encaminhado para outras cidades, como Naviraí ou Dourados, por exemplo. Isso chega a ser desumano”, ressalta.

Para um funcionamento básico, seriam necessários hoje para a URPI de Nova Andradina, no mínimo, dois legistas, haja vista eles trabalharem em regime de plantão 24 horas. “Se for contratado apenas um, esse profissional passará a atuar em regime de trabalho escravo, já que não haveria ninguém para cobrir sua folga”, explica o informante.

Prefeito Médico

Em Nova Andradina, segundo a fonte, tentou-se buscar a alternativa, tida como única forma de minimizar o problema, fazendo um acordo com a Prefeitura, porém, segundo a fonte, “o prefeito Gilberto, que é médico, diz que não quer se envolver com isso e que o problema é do Governo do Estado, não do município”.

“Neste acordo, a prefeitura ficaria com a responsabilidade de custear apenas a capacitação específica dos profissionais, mas nem assim o prefeito médico se sensibilizou com a situação tanto dos trabalhadores que hoje estão sobrecarregados, como com as famílias que sofrem com os problemas acarretados para a liberação do corpo de um ente querido”, disparou.

Outras regiões

Em quase todo o Mato Grosso do Sul os municípios sofrem com a carência de profissionais legistas. Os que atuam hoje estão sobrecarregados; seria necessária a contratação de gente praticamente para todas as regionais, diz a fonte, relatando ainda a preocupação com Naviraí “que hoje tem quatro legistas, mas um está afastado e outros dois em muito pouco tempo estarão se aposentando; aí, mais uma grande região passará a contar com apenas um legista”.

Em Fátima do Sul os problemas não são diferentes e quando é necessário o exame necroscópico ou outros inerentes ao trabalho da Polícia Civil, a cidade também encaminha os corpos para outras cidades, por falta de profissional lotado no município.