"Desde agosto de 2010, depois de uma vacinação ampla contra a gripe H1N1 de 2009, constatamos casos de narcolepsia, em particular entre as crianças e adolescentes, em pelo menos 12 países", explica a OMS em um comunicado.
Os casos foram mais frequentes na Suécia, Finlândia e Islândia, segundo a organização, que fez o anúncio uma semana depois das autoridades finlandesas terem revelado suspeitas de que a vacina Pandemrix, do laboratório GSK (GlaxoSmithKline), teria contribuído para a multiplicação súbita de casos de narcolepsia entre crianças e adolescentes do país em 2009 e 2010.
O THL (Instituto Nacional Finlandês para a Saúde) reconheceu que eram necessários estudos mais profundos para comprovar a suspeita, mas completou que "a associação observada era tão evidente que seria improvável que outros fatores, ditos colaterais, pudessem explicar o fenômeno".
A narcolepsia, ou doença de Gélineau, é um problema neurológico pouco comum que consiste em ataques de sono irresistíveis que acontecem de repente e com um cansaço extremo.
Entre 2009 e 2010, os médicos finlandeses diagnosticaram casos de narcolepsia em 60 crianças e adolescente com idades entre quatro e 19 anos, o que representa um número quase três vezes maior que nos dois anos anteriores.
Em quase 90% dos casos, as crianças foram vacinadas com o Pandemrix, que foi injetado em mais de 90 milhões de pessoas em 19 países durante a campanha de vacinação contra a gripe H1N1, segundo o THL.
O GACVS (Comitê de Consulta sobre a Segurança das Vacinas) da OMS estudou a questão e considerou que é necessário executar novas investigações a nível global.
"O Comitê concordou que são justificadas investigações mais avanças sobre a narcolepsia e a vacinação contra a gripe H1N1 com Pandemrix e outras vacinas contra o vírus declarado a primeira pandemia do século em junho de 2009", explica o comunicado da OMS.
A questão não afeta, segundo a agência da ONU, as vacinas clássicas contra a gripe comum ou outras doenças utilizadas no passado.