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Transplante aumenta risco de ter câncer

03 de julho 2011 - 13h36 Por Redação Douranews, com Folha
Transplante aumenta risco de ter câncer

O risco de um paciente de transplante de coração ter câncer de pele é pelo menos quatro vezes maior do que o de uma pessoa que não tenha passado por esse tipo de cirurgia, aponta estudo.

Em casos onde há mais fatores negativos envolvidos, como possuir pele clara e consumir cigarros, o risco pode ser até 30 vezes maior.

As conclusões saíram de um levantamento que acompanhou a saúde de 6.271 transplantados em 32 centros médicos nos EUA.

Dez anos após terem passado pela operação, 15% dos pacientes haviam exibido pelo menos um tumor de pele.

O estudo, liderado pelo dermatologista Murad Alam, da Universidade Northwestern, de Chicago, confirmou uma tendência já observada em estudos menores, mas que vinha sendo questionada por alguns médicos com base em relatos episódicos.

O estímulo ao surgimento de tumores ocorre por causa do uso de drogas imunossupressoras, que ajudam os médicos a combaterem a rejeição do órgão implantado pelo organismo do paciente.

Tais remédios fazem com que o sistema imune deixe de atacar o novo órgão e pare de "achar" que é um estranho.

"O problema é que o sistema imune não combate apenas infecções, mas também as colônias de células malignas [tumorais]" explica Alam. "Então, é de se esperar que drogas imunossupressoras aumentem o risco de câncer. Em alguns tipos de câncer, porém, como leucemias, linfomas e câncer de pele, o risco aumenta mais do que o esperado. Não sabemos com clareza por quê."

Mesmo sem responder a essa questão, o novo estudo conseguiu dar credibilidade à ligação estabelecida entre imunossupressores e câncer de pele. Segundo os médicos que assinam o trabalho, pesquisas menores sobre o assunto que já haviam sido publicadas, mas não convenceram a comunidade médica sobre a extensão do risco.

"Relatos esparsos mais recentes estavam sugerindo que a incidência de câncer de pele associado a transplantes seria menor do que se achava", afirma o novo estudo, publicado na revista "American Journal of Transplantation".