Alguns anticoncepcionais disponíveis no mercado, mesmo com baixa dosagem de hormônio, ainda apresentam diversos efeitos colaterais, como enxaquecas, cólicas, intolerância gástrica, enjoos etc. Buscando uma alternativa mais natural, a farmacêutica Bayer trouxe ao Brasil o Qlaira, primeiro anticoncepcional a contar com valerato de estradiol e dienogeste em sua formulação – garantindo, assim, a absorção de um estrogênio natural.
“O valerato de estradiol, quando metabolizado, se transforma em uma substância idêntica àquela produzida pelo organismo. Hoje, o hormônio utilizado nas pílulas é o etinilestradiol, que se converte em algo parecido com o estrogênio”, explica a ginecologista Luciana Crema, do HCor. Dessa forma, o corpo feminino entra em contato com uma substância conhecida, diminuindo as chances de reações adversas. “É algo novo, então ainda não é possível saber as vantagens e desvantagens. Mas é uma grande promessa nessa área”, complementa.
Entre as principais vantagens do estrogênio natural está o controle melhor do ciclo. “Estudos mostram que é possível diminuir consideravelmente o fluxo menstrual com o uso desse tipo de anticoncepcional”, acrescenta Maita Poli de Araújo, do Ambulatório de Ginecologia do Esporte da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Além disso, por ser polifásico (possui uma dosagem diferente em cada pílula, simulando a produção hormonal comum) e de uso contínuo (tem 28 cápsulas, e nos dias de menstruação conta apenas com vitaminas), se aproxima ainda mais do funcionamento natural do organismo.
Para as praticantes de esportes, a pílula de estrogênio natural pode ser indicativo de passadas mais confortáveis. “Nenhuma corredora quer estar menstruada no dia de uma prova. Poder diminuir o fluxo e controlá-lo de uma maneira natural só traz vantagens à performance”, completa Luciana. Ela ainda ressalta que trocar de método contraceptivo é sempre uma decisão tomada em parceria com o ginecologista – e que essa saída pode não ser perfeita para todas as mulheres.