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Cantineiros protestam contra projeto e propoem orientação alimentar

18 de outubro 2011 - 10h39 Por Redação Douranews
Cantineiros protestam contra projeto e propoem orientação alimentar
Mais uma vez presentes à sessão da Câmara Municipal de Dourados, os cantineiros defendem  uma maior discussão do projeto que proíbe a venda de doces nas escolas de Dourados. Eles questionam a forma como vem sendo colocado o projeto, de autoria do vereador Albino Mendes (PR) que, segundo as lideranças do setor, poderá tirar o trabalho de diversas famílias. “Será que já perceberam quantas pessoas ficarão desempregadas?", pergunta Andréa Cristina Bitencourt, universitária da área de Assistência Social, acrescentando que “há quantos anos existem as cantinas e só agora que se viu o ‘perigo’ nesse tipo de alimentação”.

Outro a defender novas discussões é Anderson Freitas Barbosa, para quem seria melhor desenvolver programas educacionais e de orientação alimentar para que se evitasse a obesidade, ressaltando que “não é apenas o doce que a criança come na cantina que provoca todo esse transtorno”.

O grupo reclama não ter sido convidado para discutir o projeto e sugere que sejam implantados “programas educacionais que envolvam os pais e os estudantes, assim como a própria escola, onde poderiam ser discutidos os males e os benefícios de uma forma civilizada, sem disputa por imposição de ideias”, diz Anderson.

Para ele, “proibir simplesmente que a gente comercialize nossos produtos nas escolas pode levar as crianças a consumir os doces e outros alimentos fora do estabelecimento, onde não há um controle sobre o que está sendo vendido. Na escola os pais têm a tranquilidade de saber que tudo que vende é legal “, afirma.

Reeducação alimentar

Outro a defender uma ampla discussão é o médico Jorge Baldasso, que esteve participando da sessão de ontem (17), na Câmara. "O que precisamos é que seja desenvolvido um amplo projeto de reeducação alimentar. Assim, além de manter o emprego daqueles que atuam em cantinas, estaríamos fazendo um grande bem a todos, orientando e substituindo, gradativamente, os produtos inadequados à alimentação dos jovens, e também dos adultos, fato que se conseguiria através das palestras orientativas e ampla divulgação do que contribui para uma boa saúde, já que hoje temos muitas pessoas em situação de alto risco por conta da obesidade", disse.

Quanto aos programas educacionais, Andréa lembra que “poderiam, além de orientação, realizar palestras também para os cantineiros para que, gradativamente, fossem substituídos os produtos que possam oferecer riscos à saúde das crianças. Assim, além de adequar os estoques, os trabalhadores poderiam transmitir a elas as melhores orientações”, completa, deixando uma pergunta: “É justo tirar o emprego de quem trabalha honestamente e sobrevive disso?”