O Mato Grosso do Sul tem um dos piores tratamentos contra o câncer do Brasil, é um dos que mais precisam de investimentos nesta área, principalmente para realização de radioterapia e cirurgias oncológicas. A constatação foi obtida em uma auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) no setor, para verificar a implementação da Política Nacional da Atenção Oncológica.
São apenas três equipamentos de radioterapia para atender todo Estado, umfica em Dourados e dois em Campo Grande, sendo que um dos que estão na capital, aquele localizado no Hospital Universitário da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, está estragado.
Segundo matéria publicada pelo jornal Diário MS, a demanda dirigida ao SUS por radioterapia em 2010 foi de 2.496, sendo que destes foram atendidos 845, ou seja, somente 33,9%. Se comprada aos demais estados, a estatística é a quarta pior do Brasil, ficando atrás do Distrito Federal, que atende somente 33,2% dos que procuram a saúde pública para tratamento; e de Amapá e Roraima, que simplesmente não oferecem o serviço.
Cirurgias
Junto com a radioterapia, o outro déficit do Estado é a cirurgia oncológica. A demanda dirigida ao SUS era de 2.288 pacientes em 2010, sendo que somente 788 foram atendidos pelos hospitais habilitados, o que corresponde a 34,4%, conforme o TCU. Em Dourados, por exemplo, existem dois médicos cirurgiões com esta especialidade, isso para atender toda a região da qual é pólo, pelo menos 38 municípios.
Atendimento
Segundo a médica oncologista que atende pelo SUS em Dourados, Viviane Andreata, no município não há fila de espera por radiografia. “Ainda não tem, mas à medida que o tempo passa, a população envelhece e os diagnósticos começam a ficar mais precoces, a demanda fica maior, e com o mesmo número de aparelhos, vai chegar uma época que não será suficiente. Já em Campo Grande, como tem um número maior de pessoas e só um aparelho, lá tem fila”, explica. Para ela, é necessária ainda a compra de um aparelho que tivesse a capacidade melhor para tratar sistema nervoso central, abdômen, entre outros.
Com relação às cirurgias, ela afirma que os dois cirurgiões existentes em Dourados, não são suficientes para atender a demanda local e ainda acumulam aquela vinda de outros Estados. “Estão mandando as urgências para Dourados, tem fila em Barretos [São Paulo] de três meses de espera que vem para cá.
O que acontece é que as eletivas, que podem esperar um pouquinho, acabam esperando mais que um pouquinho, entrando na urgência e a fila vai aumentando”, disse ela. De acordo com Viviane, a protelação para realizar cirurgias e exames vem atrasando o tratamento, o que pode agravar a doença dos que esperam.
Quanto à quimioterapia, o Estado está bem atendido. A demanda estimada para 2010 era de 2.912 pessoas que necessitavam nesse tipo de tratamento, sendo que 3.790 foram atendidos pelo SUS, ou seja, 130,2%.