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Capacete sujo pode causar doenças respiratórias e de pele

23 de março 2012 - 14h09 Por Redação Douranews
Capacete sujo pode causar doenças respiratórias e de pele

Usuários do serviço de mototáxi devem ficar atentos quanto às condições dos capacetes. Segundo especialistas da área da saúde, a falta de higiene pode causar problemas respiratórios e na pele. O uso opcional da touca descartável que evitaria o contato direto com a cabeça ainda não é uma exigência em Araraquara (SP), onde há cerca de 500 mototaxistas, a maioria trabalhando clandestinamente.

Equipamento de segurança obrigatório para quem anda de moto, o capacete em más condições de uso pode causar doenças respiratórias e da pele, como micoses e caspas. “Se você usar um que esteja muito suado, você pode ter algum processo infeccioso e até pegar piolho”, alerta Alessandro Mondelli, microbiologista da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Foi o que aconteceu com a mãe da esteticista Amanda Carla Pingueiro, de 22 anos. "Depois que ela teve piolho, decidi comprar um capacete porque fiquei com medo de pegar também. Já andei muito de mototáxi e a maioria dos capacetes cheiram mau devido ao suor misturado com os diversos odores de perfumes de produtos de limpeza", relata.

Outro que reclama do incômodo é o segurança Márcio Oliveira, de 28 anos. Ele diz que utiliza o meio de transporte de vez em quando, justamente porque já conhece bem as condições. "Acho importantíssimo o uso do capacete para a segurança, mas o fato que não me agradou foi o mau cheiro de cigarro", diz. "Realmente não dá paga aguentar, é chato demais", concorda o estudante Alex Ferreira, de 17 anos.

O especialista da Unesp explica que fungos, bactérias e outros microorganismos têm maior sobrevida e predisposição de proliferação em ambientes escuros e úmidos. Devido a um certo calor provocado pelo corpo, o forro do capacete torna-se abrigo ideal para esses germes.

O infectologista Paulo Olzon Monteiro da Silva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) afirma que o ideal seria que cada pessoa tivesse o seu próprio capacete para evitar riscos. Além da eventual transmissão de micose, diz, há riscos de se contrair gripe, resfriado, catapora, meningite, entre outros males.

“Se a pessoa não limpa bem o capacete e deixa alguma secreção, quem vai usar depois pode entrar em contato com a substância e vir a contrair essas doenças respiratórias”, explica o infectologista.