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Dupla jornada provoca estresse em adolescentes aprendizes

06 de maio 2012 - 14h54 Por Redação Douranews
Dupla jornada provoca estresse em adolescentes aprendizes

A dupla jornada de adolescentes aprendizes, entre a escola e o trabalho, pode provocar alterações na saúde e na vida desse jovens. É o que mostra a dissertação de mestrado Percepção de Jovens Aprendizes e Estagiários sobre Condições de Trabalho, Escola e Saúde após Ingresso no Trabalho, elaborado pela pesquisadora e psicóloga Andréa Aparecida da Luz, da Faculdade de Saúde Pública da USP (Universidade de São Paulo).

Segundo o estudo, os adolescentes que dividem seu tempo entre a escola, a formação para a vida profissional e o trabalho aprendiz ou estágio podem apresentar queda no desempenho escolar, perda ou ganho excessivo de peso, sonolência e diminuição da capacidade de manter a atenção.

Para o estudo, Andréa fez uma pesquisa que envolveu 40 jovens, entre 14 e 20 anos de idade, sendo 20 aprendizes e 20 estagiários. Todos participavam de um curso de preparação para o mercado de trabalho em uma organização não governamental localizada na zona sul de São Paulo, dedicada a preparar jovens para o primeiro emprego. Esses jovens trabalhavam durante o dia, estudavam no período noturno e ainda frequentavam os programas de aprendizagem e de estágio.

Em entrevista à Agência Brasil, Andréa contou ter observado, durante o estudo, que os jovens passavam mais tempo no trabalho do que na escola. “A dedicação do tempo diário deles é muito maior para trabalhar, para a atividade laboral, do que para a formação e para o ensino.”

“A carga horária do aprendiz, prevista na legislação, é seis horas [por dia]. São seis horas na empresa, mas há que se considerar que ele precisa se deslocar até uma instituição qualificadora, que atenda ao programa de aprendizagem, e ficar lá por cerca de duas horas por dia. Isso dá uma jornada, de segunda a sexta-feira, de 40 horas, somada a quatro horas e meia de estudo no período noturno, o que dá uma jornada de mais de 60 horas [semanais], o que é pesado para esses jovens”, disse a pesquisadora.

Outro problema é que os adolescentes, segundo ela, acabam “abrindo mão” de atividades de lazer e do convívio com parentes e amigos. Esses jovens também relataram ter consumido mais café, refrigerante e doces para ficarem mais tempo acordados ou menos sonolentos. Também foram mencionados problemas relacionados a dores musculares, problemas gastrointestinais e estresse.

Em geral, esses jovens precisam do trabalho para complementar a renda familiar. “Em alguns momentos, a escolha chega a ser perversa. Ele é um jovem que precisa trabalhar. Cerca de 65% da população que eu estudei contribuíam com mais de 50% de seu salário [de aproximadamente R$ 465 na época em que foi feito o estudo] em casa. Em caso de mãe e pai desempregados, eles [jovens] contribuíam com 100% de seus salários”, concluiu a pesquisadora.

Para a pesquisadora, o estudo demonstrou que é preciso fazer também outras mudanças. Segundo relato dos jovens, por exemplo, a maioria das empresas não promove treinamento com seus estagiários ou aprendizes, o que chegou a contribuir para que muitos deles se acidentassem no ambiente de trabalho ao usar guilhotinas ou manusear papéis e equipamentos.