Os médicos que atendem no HV (Hospital da Vida) realizam nesta terça-feira (22), em Dourados, um dia de advertência como alerta para “o estado de sucateamento em que se encontra a Saúde pública na cidade”, conforme revelou ao Douranews o médico pediatra Luiz Carlos de Arruda Leme, diretor clínico do HE (Hospital Evagélico), responsável pelos atendimentos prestados na unidade conveniada.
“Estamos enfrentando uma situação muito ruim. Se o médico faz o serviço direitinho e o paciente vai embora pra casa, curado, não fizemos mais do que a obrigação, mas quando acontece algum problema, somos os vilões. E ao gestor público nada acontece”, disse o diretor, acrescentando que se tornou “atividade muito arriscada” atuar como médico no Hospital da Vida.
A decisão dos profissionais, inicialmente, é de promover um dia de advertência. “Desde novembro [do ano passado] a direção do hospital vem tentando negociar com o Estado e o Município. Faltam materiais, equipamentos, os insumos só encarecem diante do aumento da demanda de pacientes e não há a contrapartida dos gestores”, argumenta Arruda. Segundo ele, há um déficit estimado de 40%.
Diante dessa situação, o diretor clínico do hospital disse que durante todo o dia será realizada uma espécie de operação-padrão. “Vamos atender o que prevê o credenciamento, urgência e emergência. Os demais casos serão encaminhados para as unidades de saúde”, informou. Luiz Carlos Arruda observou, também, que “já que o Município vive alardeando que tem postos de saúde funcionando à noite, os pacientes não precisam mais procurar por serviços noturnos no Hospital da Vida”.
De acordo com o diretor clínico do Evangélico, os 74 leitos existentes atualmente na estrutura do Hospital da Vida são insuficientes para atender o regime contratado. Pacientes crônicos, como idosos, hipertensos, diabéticos e casos neurológicos, acabam ocupando parte dessa estrutura. “Por isso que existe superlotação e pessoal sendo acomodado em macas, ou os gestores queriam que a gente mandasse o paciente embora sem atendimento?”, indaga Arruda.
Faltam R$ 700 mil
Pelo contrato firmado entre o Município e o Hospital Evangélico, com a interveniência do Estado, são repassados R$ 713 mil para o HE arcar com as despesas de custeio e R$ 929 mil que é distribuído entre os 155 médicos conveniados com o sistema. A defasagem, conforme planilhas já apresentadas ao prefeito Murilo Zauith e ao governador André Puccinelli, estaria em torno de R$ 740 mil reais. “Se aumentar os 40% de leitos que seria um patamar razoável, vamos precisar de mais espaço”, conclui o diretor clínico do hospital.
Com a mobilização desta terça-feira, os profissionais esperam sensibilizar as autoridades. Caso não surtam efeitos, haverá uma nova data, com dois dias de advertência e assim, gradativamente, "até à paralisação do atendimento", afirmou o médico.