Historicamente, práticas inadequadas na cadeia produtiva ligada à indústria canavieira causaram significativos impactos ambientais. Em Mato Grosso do Sul, os municípios de Rio Brilhante, Nova Alvorada do Sul, Maracaju, Angélica e os próximos de Dourados sofrem por conta da mosca de estábulo. A Assembleia Legislativa vai realizar quarta-feira (27), às 14 horas, uma audiência pública para discutir a criação de um projeto de lei que trata sobre o armazenamento, distribuição e aplicação da vinhaça gerada pelas usinas de açúcar e álcool.
A vinhaça é o resíduo pastoso e malcheiroso que sobra após a destilação fracionada do caldo de cana-de-açúcar (garapa) fermentado, para obtenção do etanol (álcool etílico). De acordo com o deputado Laerte Tetila (PT), um dos propositores da audiência pública, a vinhaça é o principal subproduto da agroindústria canavieira, considerada altamente poluidora. Se descartada de forma inadequada, pode causar graves danos ambientais como, por exemplo, a salinização do solo, contaminação do lençol freático e das águas superficiais (lagoas, córregos, rios e nascentes).
“Além da contaminação do solo, o uso da vinhaça favorece a disseminação da mosca de estábulo, causadora de sérios problemas para o gado do entorno das usinas, fator que gera prejuízo aos produtores rurais”, explicou Tetila. Segundo veterinários, os alvos preferidos dos insetos são as patas dianteiras e a cabeça do animal. Com infecções e coceiras, os gados se debatem de dor e são acometidos de estresse.
A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, formada pelos deputados Marcio Monteiro (PSDB), Felipe Orro (PDT), Eduardo Rocha (PMDB), Amarildo Cruz (PT) e Zé Teixeira (DEM), convidou para participar da audiência pública as seguintes entidades: Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), Famasul (Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul), Seprotur (Secretaria de Produção e Turismo), MPE (Ministério Público Estadual), além de produtores rurais, agricultores, veterinários e representantes do setor sucroalcooleiro e da bioenergia.
No evento, será apresentado um anteprojeto, com 16 artigos dispostos em 11 páginas. O público participantes poderá tirar dúvidas e fazer sugestões sobre o assunto. Entre outras regulamentações, a proposição determina que a área em que a vinhaça será aplicada esteja distante no mínimo 200 metros de cursos d’água (nascentes, rios, lagos ou córregos), no limite máximo de 250 litros por hectare.
Mês da Mulher
A saúde da mulher também é destaque na agenda da semana na Assembleia Legislativa. O Centro de Saúde irá promover na segunda-feira (25), às 8 horas, no Plenário Júlio Maia, uma conversa sobre câncer de mama e de colo de útero, climatério, HPV e exame de Papanicolau. As enfermeiras Sandra Freitas e Maria Auxiliadora Gerk serão as palestrantes.