O Ministério da Saúde vai voltar a produzir, em parceria com o laboratório público da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) e a empresa brasileira Biomm, a insulina, medicamento vital para o controle de diabetes. A previsão de investimento é de R$ 430 milhões nos próximos cinco anos, com R$ 80 milhões do Ministério da Saúde e Fiocruz, e o restante via financiamento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (16), em Belo Horizonte/MG, em cerimônia com a participação da presidente da República, Dilma Rousseff, e os ministros da Saúde, Alexandre Padilha, e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Fernando Pimentel.
“Vivemos um momento importante de ressurgimento que muito tem a ver com o momento do Brasil, da forma como olhamos o país. Impossível um país como o Brasil ter a indústria fragilizada. Temos uma grande vantagem: quase 200 milhões de habitantes. Temos de transformar esse mercado em plataforma para o mundo. Consumo e investimento andam de mãos dadas”, ressaltou a presidente Dilma.
A fábrica da Biomm deve começar a produzir a partir de 2015 e a população terá acesso ao medicamento nacional em 2017. A produção nacional de insulina, interrompida em 2001, representa avanço não apenas na assistência, mas também confere ao Brasil autonomia e reduz a vulnerabilidade do país frente a potenciais crises internacionais de produção. “Hoje, política industrial tem de competir no mercado global com preço, prazo e qualidade. Não é admissível que o Brasil faça substituição de importação. Este é um passo importante: unir área industrial, ciência e tecnologia, e educação para aumentar a produtividade”, acrescentou a presidente.
Com a retomada da produção da insulina, o Brasil volta a fazer parte do seleto grupo de quatro países que produzem esse medicamento, ao lado de Ucrânia, Dinamarca e Estados Unidos, lembrou o ministro da Saúde. “A retomada só se tornou viável porque o programa Farmácia Popular, do Ministério da Saúde, criou um mercado que sustenta a produção. Aumentou cinco vezes o número de pessoas com acesso a medicamentos de graça. Subiu de 15 mil para 25 mil o número de farmácias que ofertam esses medicamentos”, afirmou Padilha.
Assistência
Atualmente, segundo o ministro, há cerca de 10 milhões de diabéticos no país. Desses, 1,1 milhão utilizam a insulina disponibilizada pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Em 2012, o consumo médio de medicamentos antidiabéticos pela rede pública de saúde foi de cerca de 15 milhões de frascos NPH e cerca de 1,7 milhão de frascos de insulina [1,2 milhão de frascos do tipo NPH e 145 mil frascos da regular]. A Biomm produzirá 50% da insulina distribuída no SUS.
A construção de uma fábrica nacional de insulina está inserida na estratégia do governo federal de aumentar a autonomia do país em relação ao mercado externo de medicamentos e equipamentos de Saúde. Na semana passada, o ministro Alexandre Padilha anunciou uma série de medidas para impulsionar a indústria brasileira no setor Saúde. Foram firmadas oito parcerias entre laboratórios públicos e privados para a produção nacional de medicamentos e equipamentos, que vão gerar economia de R$ 354 milhões em cinco anos.