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Secretário diz que HU tem 60% de leitos desocupados

21 de maio 2013 - 21h51 Por Redação Douranews
Secretário diz que HU tem 60% de leitos desocupados

Citando um fato ocorrido em fevereiro deste ano quando, por três vezes seguidas, o HU (Hospital Universitário) recusou o pedido de internação de 11 pacientes que precisavam ser transferidos do HV (Hospital da Vida), mesmo com 60% dos leitos disponíveis, como apurou a auditoria realizada pela Prefeitura, o secretário municipal de Saúde, Sebastião Nogueira, anunciou nesta terça-feira (21) que a partir de agora o Município vai agir “para mexer com esse ‘status quo’ [termo em latim que significa estado atual de coisas] porque o paciente precisa ser atendido”.

Sebastião disse, durante coletiva de imprensa concedida no gabinete do prefeito Murilo Zauith, na companhia do vice-prefeito Odilon Azambuja, que está concluindo os estudos para lançar um plano de eficiência no atendimento. Segundo ele, os profissionais de Saúde estão, atualmente, na confortável posição de “receber pela tabela cheia” enquanto os pacientes não encontram vagas no PAM e nem no HV e tem gente “esperando há anos” para realizar um procedimento.

“Daqui pra frente, vamos pagar pelo serviço que for realizado”, afirmou o secretário, ao admitir que o Município incorre em erro com o sistema de contratualização firmado pelas administrações anteriores. Nesse aspecto, ele citou o item que prevê repasse ao HU correspondente a 1800 tomografias ao longo do ano passado inteiro. “E alguém de vocês sabe me dizer quantas tomografias o hospital fez?”, perguntou aos jornalistas, para responder em seguida: “Nenhuma”.

Fim dos subterfúgios

Sebastião Nogueira explicou que isso ocorre, conforme Plano Operativo firmado pela Prefeitura, porque foram pactuadas metas quantitativas e qualitativas a serem alcançadas. “Então, se a contratualização prevê mil hemogramas [exames de sangue] por mês e 10 tomografias, o hospital deixa de fazer as tomografias e acaba realizando três ou quatro mil exames de sangue; aí, ganha na quantidade e acaba preenchendo o plano de metas”.

De acordo com o secretário de Saúde, a atual administração não pode continuar incorrendo nesse erro. “Esse tipo de subterfúgio [pretexto usado por quem procura, de maneira ardilosa, esquivar-se de dificuldades, segundo o Dicionário Online de Português] vai acabar, a reestruturação começou no ano passado e agora entra nessa nova etapa; vamos exigir serviços de qualidade e bom atendimento, a partir da Atenção Básica”, garantiu.

Descontos no repasse

A Prefeitura de Dourados repassa atualmente em torno de R$ 5 milhões para os atendimentos que são feitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). O Hospital da Vida recebe R$ 2,4 milhões e o Universitário, R$ 2,8. Após a auditoria já encerrada no HU, o hospital terá descontados, a partir deste mês, em sete parcelas iguais, o total equivalente a R$ 1,6 milhão por serviços que deixou de prestar no regime de contratualização. O levantamento ainda não foi concluído no HV, mas já se sabe que serão descontados algo em torno de R$ 70 mil.

O médico Sebastião Nogueira disse ainda que sabe que, eventualmente, alguns médicos irão reclamar das novas medidas, principalmente “os que não querem trabalhar”. Mas, no caso destes virem a se manifestar pelo fim do vínculo com o Município, “vou dar graças a Deus”, acrescentou, porque tem gente querendo trabalhar. O recado também vale para os hospitais.

O Hospital da Vida, por exemplo, segundo o secretário, eliminou 20 leitos de enfermaria para a criação de salas de estudos. Das 88 vagas que haviam na unidade, que é mantida pelo HE (Hospital Evangélico), “uma parte já foi formada em macas e cadeiras de corredor”, ironizou. Ele informou, ainda, que uma Chamada Pública será aberta pela Secretaria de Saúde para habilitar instituições interessadas em prestar serviços ao Município.