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Protesto médico cobra ‘vergonha na cara’ do Governo

26 de junho 2013 - 23h22 Por Redação Douranews
Protesto médico cobra ‘vergonha na cara’ do Governo

Médicos e futuros profissionais, reunidos em ato convocado como parte do movimento nacional que reclama contra a adoção de medidas, consideradas ‘populistas e demagógicas’ por parte do Governo para tentar resolver os problemas da Saúde, realizaram ato público no começo da noite desta quarta-feira (26), na praça Antônio João, em Dourados.

A categoria reclama contra o que classifica de “resposta errada” da presidente Dilma Rousseff (PT) ao estado caótico vivido pelo setor em nível nacional. Entre os manifestantes, a maioria era formada por parte dos atuais 310 acadêmicos que frequentam o curso de Medicina da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados).

“Nosso problema não é a falta de médicos, é a falta de vergonha na cara para resolver a situação”, definiu o delegado do Sinmed (Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul) em Dourados, Jorge Luís Baldasso. Segundo ele, enquanto a OMS (Organização Mundial de Saúde) preconiza um médico para 1000 pessoas, em Dourados a média é de um para 500. “Precisamos de material básico [“até esparadrapo tá faltando”, disse], equipamentos e até do plano de carreira que há 11 anos tentamos aprovar”, afirmou Baldasso.

O presidente da AMGD (Associação Médica da Grande Dourados), Leidniz Guimarães, disse que a categoria não está preocupada se o Governo vai ou não ‘importar’ médicos cubanos ou de outros países. “Só queremos que os que vierem estejam aptos, após fazer a prova [o Revalida, programa do Ministério da Saúde para capacitação profissional] e venham se somar a nós, brasileiros”, disse.

As entidades médicas suspeitam que, por trás desse interesse do Governo, esteja a disposição em repatriar cerca de 250 membros do MST (Movimento dos Sem-Terra) que foram buscar qualificação em Cuba e agora querem retornar, legalizados, para atuar no Brasil. “Cuba tem pelo menos 50 escolas de medicina, turmas com mais de 1.100 alunos, mas esse pessoal precisa mostrar que está preparado para atender, especialmente a urgência e emergência, nossa maior necessidade”, comentou o presidente da Associação.

Coragem

O presidente do Caces (Centro Acadêmico Camilo Ermelindo da Silva) que congrega os alunos do curso oferecido pela UFGD, André Soffiatti Queiroz, diz que os estudantes não concordam com a forma como o Governo tenta resolver a situação. “Prédios estão caindo, faltam equipamentos básicos, os funcionários estão sobrecarregados e o grupo recebe um dos mais baixos salários do País e o Governo fica querendo se apresentar como ‘bonitinho’ para a população”, protesta.

Segundo o acadêmico, o momento exige coragem das autoridades para assumir perante a população que a Saúde Pública vai mal e que está se tentando encontrar solução à altura da gravidade do problema. [Trazer  médicos de outros países] “é uma resposta errada a tudo o que está acontecendo, porque falta suporte para capacitar pessoas capazes de promoverem intervenções bem sucedidas”, disse Soffiatti.