Buscar terça-feira, 1 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
18°C
Saúde

CPI da Saúde constata superfaturamento em contratos com HR

09 de julho 2013 - 18h10 Por Redação Douranews
CPI da Saúde constata superfaturamento em contratos com HR

A oitiva com o ex-diretor do HR (Hospital Regional) Rosa Pedrossian, em Campo Grande, Ronaldo Perches Queiroz, foi marcada por questionamentos relacionados a possíveis superfaturamentos de contratos na prestação de serviços na unidade hospitalar nos setores da lavanderia e de limpeza.

O depoimento dele na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Saúde aconteceu na tarde de ontem (8) no Plenário deputado Júlio Maia, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, onde foram constatados que houve aditamento nos contratos que elevaram os valores dos serviços.

Em relação ao setor de limpeza, por exemplo, o contrato inicial assinado em 2010 entre a direção do Hospital Regional e a empresa Viga Prestadora de Serviços Ltda previa pagamento de R$ 6.840 milhões e que hoje é de R$ 15.060 milhões por ano, o que representou um acréscimo na ordem de 130%.

Porém, Ronaldo Perches Queiroz disse que o hospital gasta em média R$ 600 mil mensalmente com o setor. “Esses números não são verdadeiros e posso garantir isso. Faço questão que os documentos sejam fornecidos novamente”, explicou. Todavia, os deputados constataram que o contrato continha a assinatura do ex-diretor do Hospital Regional Rosa Pedrossian, que a reconheceu, porém, insistiu que o cálculo estava errado.

Diante da controvérsia, o deputado estadual Amarildo Cruz, presidente da CPI da Saúde em MS, decidiu requisitar novamente os documentos. Outro problema constatado pelos parlamentares é que o número de serviços terceirizados aumentou de sete para 15 durante a gestão de Ronaldo Perches Queiroz, ocorrida entre 1 de setembro de 2009 até o dia 1 de julho de 2013.

“Só existiu a terceirização de serviços que necessitavam de uma manutenção contínua. O hospital é 100% público e as terceirizações ocorreram em áreas que não temos condições de garantir a integralidade da assistência”, explicou.

Já o presidente da CPI da Saúde em MS destacou que a impressão preliminarmente é que existe uma orientação de se fortalecer os serviços do hospital. “É clara a estratégia de fortalecer as terceirizações ao invés de investir no público. O número de terceirizações mais do que dobrou neste período”, explicou.

Em relação às denúncias de que o Governo do Estado se negou a receber equipamentos de radioterapia doados pelo Ministério da Saúde, Ronaldo Perches Queiroz afirmou que o Estado havia solicitado os materiais, porém desistiu de recebê-los por falta de pessoas para manuseá-los. “Eu não tenho como interpretar uma combinação de não aceitação de equipamentos para favorecer o hospital privado. O Governo Federal liberou cinco equipamentos e existe uma tentativa de convencimento de que eles não eram necessários. Esses nove milhões pagos ao Hospital do Câncer poderiam ter sido empregados em hospitais públicos”, questionou.

Após Ronaldo Perches Queiroz, os deputados estaduais ouviram o ex-diretor do Hospital Universitário, José Carlos Dorsa, o qual destacou que esteve à frente da unidade de 5 de agosto de 2009 até o mês de maio deste ano. Os deputados o questionaram dizendo que haviam recebido documentos e depoimentos sobre possíveis irregularidades no Hospital Universitário durante sua gestão, que vão desde superfaturamento de contratos, serviços prestados na iniciativa privada e um aumento cada vez maior da terceirização.  

“Todas as acusações que foram feitas à minha pessoa nenhuma delas se transformou em acusação na Justiça até o momento. São apenas alvos de investigação, e em todos os processos em momento oportuno e foro específico vou provar que não houve irregularidade. As gravações divulgadas na mídia foram obtidas de forma ilegal e editadas, muitas das vezes fora de contexto”, esclareceu.

Sobre radioterapia do Hospital Universitário de Campo Grande que está desativada, José Carlos Dorsa afirmou que quando assumiu a direção do hospital o setor já não estava funcionando. “Quando assumi a unidade o serviço já estava desativado. As condições eram muito precárias e não fiz parte da equipe que ajudou a desativar o local para privilegiar empresas privadas”, falou.

Em relação ao não recebimento de equipamento de radioterapia, José Carlos Dorsa disse que não havia a necessidade. “Nós já havíamos adquirido equipamentos importados que estavam prestes a funcionar. Seria impróprio recebê-los para deixar engavetados. O nosso problema era com recursos humanos, faltavam pessoas para operar as máquinas”, finalizou.