“A pessoa portadora da Síndrome de Asperger pode ter dificuldades de socialização, mas não de cognição”. Com essa constatação, a coordenadora do curso de Psicologia da Unigran, Rosemeire Martins, fala sobre resultados de pesquisas feitas para diagnosticar a diferença em relação ao autismo.
No processo de pesquisas verificando o autismo, começou-se a observar outras características que também não se enquadravam dentro do autismo clássico, com isso, surgiu o espectro da Síndrome de Asperger, diz ela.
“O diálogo flui mais, mas o indivíduo entra no mundo da fantasia, então de repente ele tropeçou e caiu – como qualquer outra criança, mas ele diz que a vida dele passou como um filme, que ele ficou pensando em toda história dele, isso durou dois minutos que ele caiu, tropeçou, levantou e saiu”.
Ou seja, segundo estudos feitos por Rosemeire, apesar de apresentar as características básicas do autismo [déficit de comunicação, baixa reciprocidade social e comportamentos repetitivos], a criança com essa Síndrome tem preservada a capacidade intelectual.
Outra característica apontada pela psicóloga é a dificuldade de compreender. “Por exemplo, questões abstratas como o amor, ele fica tentando coisificar, colocar em coisas, o amor é como se fosse o telefone, mas não está fazendo um comparativo, uma metáfora, ele quer colocar como se fosse uma coisa. Tem ainda, a dificuldade de ter as expressões, inclusive as expressões faciais, ele não consegue compreender o que é sorriso, alegria, tristeza que para ele é a mesma coisa e, por isso, não consegue compreender, às vezes, determinadas brincadeiras que são feitas, que pra ele não tem sentido nenhum”, explica Rosemeire.
Em termos de diagnóstico, há todo um processo de investigação. A professora de Psicologia esclarece que ainda há alguns fatores que dificultam o diagnóstico precoce. “Primeiro que existe um afeto familiar, que às vezes nega que a criança seja diferente, percebe que quando vai abraçá-la, é diferente, pois não é tão afetiva, porque quando você pega um bebê no colo ele responde aos estímulos afetivos”, exemplifica.
“O diagnóstico é um rótulo, porque temos que enxergar a criança e as necessidades dela, e aí fazer uma avaliação neurológica, psicológica e com o psiquiatra, inclusive, até para se avaliar nesse nível de desenvolvimento da criança”, menciona a psicóloga. Normalmente são muito inteligentes, a capacidade cognitiva é preservada, mas para que a criança possa ter isso assegurado, “precisa ter contato com a realidade, ter lógica, então é possível, sim, ser feito o diagnóstico precocemente, mas dependemos da percepção dos pais, da permissão deles para realizar esse diagnóstico até para iniciar precocemente a orientação”, orienta Rosemeire Martins.
A psicóloga faz um alerta de que é necessário também entender que é tudo muito novo para o profissional, “para o professor, por exemplo, que foi preparado para uma criança normal e aí ele tem um caso como esse, ele precisa saber como é que se faz para trabalhar técnicas pedagógicas adaptadas para aquele caso”. A especialista ressalta a importância da preparação para lidar com essa realidade.
Preparar professores, preparar a sociedade para o diferente. “Vamos trabalhar com esses pais, com essa criança, com todo mundo, no sentido de que o portador da Síndrome de Aspergen não é um doente, mas que ele precisa ser incluído e, para isso, ele também precisa obedecer algumas regras nesse ambiente que ele está, porque isso vai fazer com que ele se sinta incluído”, defende a psicóloga.